terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Triste Camboriú

Apesar das recentes chuvas torrenciais prolongadas que promoveram deslizamentos e enchentes por todo o Estado, em especial no Litoral (Itajaí, Itapoá,...) e no Vale Europeu (Blumenau, Gaspar,...), e da providencial mobilização geral dos brasileiros àquela população, governantes e afins seguem ignorando relações imperativas de causa-efeito na frágil relação homem-natureza.

SC foi o 2° Estado em desmatamento nos anos 2005 a 2008 [1], logo a protetora das encostas de morros e leitos dos rios... Encostas nuas prontas a desabar, margens de rios propensas a desmanchar-se e assorear o escoadouro da água, que por sua vez transbordará... velhas histórias, novas calamidades.

Onde política e sociedade civil não se organizam, grassa a omissão, a desculpa e o silêncio: dana-se o nativo.

Catástrofes naturais ocorrem em Santa Catarina a intervalos menos espaçados. Grandes enchentes em 1980 e 2008, furacão em 2004, vendavais recorrentes.



Foto (jan/09,
Interpraias): marcas dos deslizamentos de 2008


Um dos fatores responsáveis pelo desmatamento é a especulação imobiliária. Para este fim, mesmo uma área imprópria é 'trabalhada', tornando-se vendável, como se pode ver nas fotos abaixo, também na Interpraias...


















Foto (jan/09,
Interpraias): intervenção em morro

...ou na foto abaixo, mega-terraplenagem para receber instalações... da placa "Vende-se"!
Foto (jan/09, Interpraias): clássica sequência desmate-terraplenagem-'à venda', Interpraias

Era de se esperar que em local tão duramente atingido pelos humores do clima, florescesse a consciência ambiental, motivasse a preservação. Mas veja as placas ao logo da rodovia Interpraias: autorizam a supressão, a limpeza, o corte da vegetação local. Quem assina é a Fatma o órgão ambiental de SC (a simpática cauda de baleia é seu ícone). Estraga-Turismo!

















Foto (jan/09, Interpraias): uma das inúmeras placas.


A vegetação ali é nativa e pertence ao Bioma Mata Atlântica. Não deve ser nada especial, tombando em amplas áreas ao longo não só da Interpraias, mas de outras vias, geralmente as turísticas. Encostas pronunciadas perdem as florestas que lhes davam contenção...

Já reparou que áreas de risco ficam longe da residência de políticos e empresários do ramo imobiliário? Eles não tem mesmo do que se preocupar! A quem ali reside, o Zé Povinho, é quem dorme a meio-olho, na expectativa do estampido derradeiro da terra que virá lhe cobrir, na ilusão de que salvará a si e aos que ama. Isso é vida? !

Mas o pessoal do Meio Ambiente já pensou em tudo, tanto é que elaboraram as Instruções Normativas IN-23 e IN-24 [2]! Elas têm como objetivo 'Definir a documentação necessária à autorização de supressão da vegetação...'. Os tais 'documentos fiéis ao descanso do patrão' de que falava Renato Russo [3], é claro, contemplam todos impactos possíveis, à luz das catástrofes mais recentes. Zé Povinho pode dormir sossegado!

É, Camboriú requer um exercício de abstração do contexto ambiental, do contrário, é um convite à depressão. Incômodo exercício a quem admite somente a vida.

[1] INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica
[2] Fatma - Fundação do Meio Ambiente, Downloads
[3] Legião Urbana, Que País é Esse?

O Luto no Sul de Minas de antigamente

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