terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A oração da Ave Maria não é mantra

Já não foi a primeira vez que ouvi referência à oração da Ave Maria como fosse um mantra. E de novo fiz vista grossa, aguardando melhor oportunidade para lançar a semente da boa palavra.

Um mantra, se bem estou informado, é um conceito importado de religiões orientais e que considera que orações recitadas ao léo podem harmonizar vibrações terrenas e energias cósmicas. Não quero aqui contestar essa noção, até por entender pouco de religiões que não sejam a minha, a Católica.  Também não quero discutir sincretismos, apesar de acreditar que, em certa medida, consigam agregar.

A questão, para mim, é que o conceito do mantra acaba por despojar a riqueza da oração católica. Ainda que nossos irmãos evangélicos não se agradem na forma como nos lançamos às orações prontas, acredito que valham a pena e sejam efetivas.

Uma oração pronta, como a Ave Maria, o Pai Nosso ou o Glória, dentre tantas outras, é efetiva pela busca de maior contato com o Transcendente, ato que pode ser feito mesmo no decorrer de outras atividades. Por diversas vezes já me flagrei na oração mental da Ave Maria, vários minutos após eu haver dado início à oração, período no qual mantive uma sequência viva de orações à Nossa Senhora, em perene insistência. Longe de serem orações perdidas, fortaleceram meu clamor, de forma coerente à palavra do Mestre: “Batei e abrir-se-vos-á”. Sim, estas orações significam um insistente bater, chamando Sua atenção: “ei, se lembre de mim, ao menos de quem estou a pedir uma graça. Senão, aproveite estas orações na intenção de um irmão, uma alma necessitada”.

Esta é uma diferença significativa, abismal, entre a oração cristã e o mantra: o cristão reza para Alguém. Junto a meus irmãos evangélicos, estou orando para Deus, para Jesus. Junto a meus irmãos católicos, faço orações também para Maria, os Santos e Anjos, às boas almas que estão na presença do Senhor. 

Tenho duas mães no céu, pois a Deus aprouve chamar a Dona Ví, uma vez que o jardineiro colhe de seu jardim as melhores rosas. Então direciono orações também para a “amada mãe”, embora o faça em momentos que realmente importam, por entender que sua missão materna esteja cumprida e, portanto, eu estou apto aos desafios.

A oração católica tem ainda muitos mais aspectos a serem explorados, quais sejam a adoração ao Senhor, a sintonia com o Criador, a santificação da humanidade,... Porém um aspecto que desejo por último destacar, é que nossa religião não reside na relação com um Deus etéreo. Nossa religião é a do Cristo ressuscitado, fato esse testemunhado por seus discípulos e dito por São Paulo como o grande motivo que faz valer a nossa fé. Jesus retomou sua vida de volta, em seu próprio corpo, por seu próprio poder, corpo esse que elevou aos céus por sua própria vontade. A tradição católica afirma que finda a missão de sua mãe na Terra, a levou consigo aos céus.


Então nossas orações têm destino certo, pois que Jesus e Maria interagem conosco, tanto em condição espiritual, como humana, interagindo conosco por formas misteriosas e insondáveis, enquanto interagimos com Eles por nossas orações e boas ações. 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana singular

Uma semana trágica, mas rica em lições. À queda do avião da Chapecoense seguiram-se o luto nacional, as surpreendentes manifestações de apoio de times de futebol mundo afora, o chocante oportunismo com que o Congresso desfigurou o projeto anti-corrupção, a insistência do Senado em passar essas mesmas leis andrógenas, as surpreendentes solenidades nos estádios de Chapecó e Medellin, a pavorosa revelação de que o avião levantara sem combustível suplementar; e ontem, enfim, o velório coletivo dos que fizeram aquele último voo.

O sacrifício do jovem time de Chapecó e dos profissionais que o acompanhavam produziu reações das mais nobres, a ponto de times como Corinthians e Atlético Paranaense "vestirem" de verde o seu site e seu estádio, respectivamente. Longe de ser um gesto simples, já que a cor de seus arqui-rivais Palmeiras e Coritiba costuma ser o estopim de conflitos. Uma semana permeada de gestos nobres.

Os colombianos de Medellin, meu Deus, o que foi aquilo? Um estádio lotado pranteando o time adversário e estrangeiro. Com que distinção o fizeram! E mantiveram o proceder solene e impecável até o embarque dos caixões. E ainda seguem em cuidados com os sobreviventes. Não há palavras que descrevam adequadamente a dignidade com que honraram, em última análise, a todo o Brasil.

Também não há palavras à altura do que pode uma mãe. A do jogador Danilo, Dona Ilaídes, pausou seu pranto para acolher o luto do Jornalismo.

E por todo o Brasil, por todo o mundo, quantos eventos inauditos! Times colocando seu escrete à disposição da chapecoense, interessados em que sejam isentos de um eventual rebaixamento nos próximos anos. Tudo tão diferente do cotidiano, que só mesmo a dimensão da tragédia justifica.

No velório coletivo em Chapecó, o respeito ao luto foi capaz mesmo de silenciar as exacerbadas manifestações políticas destes tempos, de modo que o Presidente lá esteve no tamanho exato de seu cargo em dever cívico, sem vaias nem aplausos.

A grandeza de tantos atos justifica encerrar aqui este texto, dispensando ações pequenas que concorreram na semana. Os atos magnânimos vividos nesta semana semeiam a fé de que, por fugaz que seja nossa existência, podemos mais, somos capazes de fazer e um mundo bem melhor.

#ForçaChape
#GraciasColombia

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Carta ao Cidadão



Precisamos te alertar e te conscientizar a usar moderadamente os recursos naturais do nosso planeta. Pois cada recurso é essencial para a nossa sobrevivência.

Nós precisamos economizar água, eletricidade e reciclar o máximo que pudermos, para melhorarmos o nosso planeta, e para que no futuro tenhamos um lugar melhor para viver.

Vários problemas vêm acontecendo pela má utilização dos recursos que a natureza nos fornece, como por exemplo: degelo das calotas polares, desmatamento de florestas e poluição de mares e rios, e isso está prejudicando animais polares, aquáticos e silvestres. Porém, isso tudo não prejudica só os animais, mas também nos prejudica. Pela má utilização dos recursos que a natureza nos fornece.

Esperamos que você se conscientize e recicle, economize e cuide do planeta, pois o que queremos para nós e para as gerações futuras é um mundo onde tenha ar puro, os animais tenham um habitat cheio de árvores e vida, onde rios e mares sejam limpos e onde todos possamos viver mais felizes e saudáveis.

Texto produzido por Felipe Silveira, Gabriel e Giovanni, alunos do 4º ano do Colégio Sagrado Coração de Jesus (Curitiba-PR), publicado no panfleto "Sustentabilidade é Vida", em Novembro de 2016.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Aperta o passo, José!

Avisado em sonho, o perigo é iminente.
Levanta-te, calça sandálias, cinge a cintura!
ágil, leva o básico apenas,
não esqueças o ouro, o incenso e a mirra.

Sem casa, sem paragem e outra pertença,
de tua posse, só mesmo a missão recebida,
que te trará pouco sossego e muita luta:
És guardião do caminho, da Palavra e da vida!

Não percas tempo, põe-te em marcha,
que a noite escura ajuda a fuga.
Terás à luz do dia, já bem cedinho,
cruéis e poderosos em teu encalço. Aperta o passo! 

Se belos são os pés do mensageiro que anuncia o Senhor,
o que dizer dos pés que levam a Salvação a salvo?
Vasculha, esquadrinha bem em volta, abre espaço,
a “ascensão e queda de muitos”, de ti dependem agora!

Respira fundo, recobra ânimo, mantém ritmo.
Olhos atentos, cheios de apreensão,
de medo e ansiedade, por que não?
Não é acaso o Menino um “sinal de contradição”?

Tudo pode Aquele que te concedeu a paternidade,
O Menino, Deus insuspeito, também pode tudo.
Mas, protegê-lo, agora, é encargo teu!
Vela bem por essa família,
pelas famílias do mundo,
por minha família e por mim!



domingo, 8 de maio de 2016

Amigas no céu

Por vezes penso na predileção de Deus pelas mães. Por considerá-las as melhores criaturas de sua obra, não resiste a ter por perto essas almas forjadas no carinho, no amor e na doação, conhecedoras do coração humano, quase tanto quanto Ele próprio. Isso sem falar em esmeros, cuidados e habilidades culinárias (imagino o proveito desses dons no Paraíso...)

O Paraíso é o motivo pelo qual escrevo estas linhas neste Dia das Mães, aproveitando para reformar e atualizar um texto que anteriormente escrevi para meus familiares. Desta feita, porém, tem mão de gato, meu pai não resistiu a propor ajustes. Segue:


O trio está formado!

As coisas já não andam como antes nas terras celestes, 
as três amigas se encontraram 
e parecem estar a pôr uma vida de acontecimentos em dia.

Virgínia, Leah e Márcia se acharam mesmo em casa:
agitadas em conversas animadas e regadas a gargalhadas,
para as quais sempre arranjam tempo e espaço,
bastando mesa e alguns banquinhos...

Não contentes em seu conversar sem fim, se envolvem em tudo o que há,
e ora encaixam um ornamento aqui, ora uma modificação ali.

Tornaram-se íntimas de santos e anjos,
Chamam-nos pelo nome, não há um só que lhes escape...
Nem mesmo os cânticos lhes passaram ilesos:
Márcia já vem organizando os anjos em falanges para corinhos e lições de canto.

São Francisco suspira pelo ambiente puro de outrora,
pois que Leah vive a empunhar seus cigarros com elegância celestial!
E questionadora como sempre, 
vive a interpelar um aflito Santo Agostinho,
sobre infindáveis dúvidas de cunho teológico...
Santa Terezinha do Menino Jesus, por sua vez, se rendeu à Virgínia
e encarregaram os anjos do cultivo de jardins e mais jardins de muitas rosas. 

E, mães que são, nunca deixam os cuidados usuais: quem é filho e neto, sabe...

Quais são então, as atuais expectativas de paraíso no Paraíso?
Depende, pois que volta e meia chegam mais amigas, 
que engrossam o animado e barulhento trio:
Daisy, Laíde, Iracema,...

Os que anseiam pelo descanso eterno,
se preparem para alegrias eternas,
sempre cheia de constantes novidades!


domingo, 31 de janeiro de 2016

Baralho novo, cartas marcadas

Certa noite, passados alguns anos do fechamento dos cassinos no Brasil, o Chefe de Mesa resolvera revelar um segredo ao amigo. Sentado à mesa de sua casa, explicou que um baralho novo em folha era aberto a cada mão.

Naquele momento, à frente do amigo, um baralho novo foi posto sobre a mesa. Procedeu a cuidadosa retirada do envólucro, expondo o seu conteúdo. Na sequência revelou o modo como marcava as cartas, reorganizou-as com carinho e tornou a guardá-las. É baralho novo, agora dá jogo!

Moral da história: Em 'jogo de azar', a sorte e o dinheiro pertencem aos cassinos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Plantei uma semente


Plantei uma semente, semente de alegria.
rego água e carinho,
brotam folhas, flores a caminho.

Plantei uma semente, semente de alegria.
Tenho fé, a planta cresce viçosa.
Tenho esperança, a fruta é saborosa!

Plantei uma semente, semente de alegria.
É árvore frondosa,
firmo a rede e o balanço de corda.
No descanso, a hora corre mimosa.

Plantei uma semente, semente de alegria.
Tenho ar puro e fresco, uma sombra que renova.
Esposa ao meu lado, chegam crianças: somos vida nova!

Plantei uma semente, semente de alegria.
Assomam amigos, baralho e churrasco: a zoada de novos irmãos,
com presentes: novos mundos em suas mãos.

Plantei uma semente, a semente é de magia.
Nada eu era, junto somos!
Fé no coração, na mente o amor,
respiro esperança, a vida tem sabor!

Plantei uma semente, germina o dia.
Sonhei a ‘casa na árvore’, realizamos o ‘Lar doce lar’
A Deus rezamos: Jesus e Maria vêm nos visitar.

Plantei uma semente, avança a Evolução.
Na luta crua, ganhamos coragem.
Há dor e lágrimas, mas o sangue jorra amor no coração.


O Luto no Sul de Minas de antigamente

Até metade do Século XX, o luto no Sul de Minas envolvia práticas rígidas para os parentes do falecido, que eram religiosamente seguidas: o ...