Já não foi a primeira vez que
ouvi referência à oração da Ave Maria como fosse um mantra. E de novo fiz vista
grossa, aguardando melhor oportunidade para lançar a semente da boa palavra.
Um mantra, se bem estou
informado, é um conceito importado de religiões orientais e que considera que
orações recitadas ao léo podem harmonizar vibrações terrenas e energias
cósmicas. Não quero aqui contestar essa noção, até por entender pouco de
religiões que não sejam a minha, a Católica. Também não quero discutir
sincretismos, apesar de acreditar que, em certa medida, consigam agregar.
A questão, para mim, é que o
conceito do mantra acaba por despojar a riqueza da oração católica. Ainda que
nossos irmãos evangélicos não se agradem na forma como nos lançamos às orações
prontas, acredito que valham a pena e sejam efetivas.
Uma oração pronta, como a Ave
Maria, o Pai Nosso ou o Glória, dentre tantas outras, é efetiva pela busca de
maior contato com o Transcendente, ato que pode ser feito mesmo no decorrer de
outras atividades. Por diversas vezes já me flagrei na oração mental da Ave
Maria, vários minutos após eu haver dado início à oração, período no qual
mantive uma sequência viva de orações à Nossa Senhora, em perene insistência.
Longe de serem orações perdidas, fortaleceram meu clamor, de forma coerente à
palavra do Mestre: “Batei e abrir-se-vos-á”. Sim, estas orações significam um
insistente bater, chamando Sua atenção: “ei, se lembre de mim, ao menos de quem
estou a pedir uma graça. Senão, aproveite estas orações na intenção de um
irmão, uma alma necessitada”.
Esta é uma diferença
significativa, abismal, entre a oração cristã e o mantra: o cristão reza para
Alguém. Junto a meus irmãos evangélicos, estou orando para Deus, para Jesus.
Junto a meus irmãos católicos, faço orações também para Maria, os Santos e
Anjos, às boas almas que estão na presença do Senhor.
Tenho duas mães no céu, pois a
Deus aprouve chamar a Dona Ví, uma vez que o jardineiro colhe de seu jardim as
melhores rosas. Então direciono orações também para a “amada mãe”, embora o
faça em momentos que realmente importam, por entender que sua missão materna
esteja cumprida e, portanto, eu estou apto aos desafios.
A oração católica tem ainda
muitos mais aspectos a serem explorados, quais sejam a adoração ao Senhor, a
sintonia com o Criador, a santificação da humanidade,... Porém um aspecto que
desejo por último destacar, é que nossa religião não reside na relação com um
Deus etéreo. Nossa religião é a do Cristo ressuscitado, fato esse testemunhado
por seus discípulos e dito por São Paulo como o grande motivo que faz valer a
nossa fé. Jesus retomou sua vida de volta, em seu próprio corpo, por seu
próprio poder, corpo esse que elevou aos céus por sua própria vontade. A
tradição católica afirma que finda a missão de sua mãe na Terra, a levou
consigo aos céus.
Então nossas orações têm destino certo, pois que Jesus e Maria
interagem conosco, tanto em condição espiritual, como humana, interagindo
conosco por formas misteriosas e insondáveis, enquanto interagimos com Eles por
nossas orações e boas ações.

