terça-feira, 30 de maio de 2017

Um Brasil virado

O Brasil não avança um passo sem que se molhe a mão delinquente, suja como o rabo do urubu. O país verga sob a ignorância de gente hábil em gerir suas próprias contas e orgias,  desviando os caros recursos recolhidos da população trabalhadora em favor de seus mimos e interesses.

Um Brasil que se apequena ante três poderes que arrogam a si infindáveis direitos e benefícios, arrochados de aposentadorias e direitos negados ao povo.

O Brasil dos palácios escancara cargos comissionados, obras superfaturadas, propinas, joias, malas de dinheiro.

Seu legado é um Brasil que se perde em meio à bandidagem, à carência de valores, à cultura da bunda, cada vez mais virado em uma Síria, um Afeganistão, uma Venezuela.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Na Escola da Polícia Militar

Na manhã de hoje proferi uma palestra no tema água para cerca de 30 professores, no Colégio Estadual da Polícia Militar, na Vila Izabel, em Curitiba. Após a palestra, almocei com meus colegas da Sanepar e retornamos à escola.

Minha intenção era tão somente pegar minha mochila no auditório, porém não pude fazê-lo, dado que a turma de alunos da tarde havia tomado todo o pátio e acessos aos corredores, em ordem unida. Cantaram o Hino da Polícia Militar e ouviram as seguintes orientações de um oficial da Polícia Militar:

"Cuidem de honrar seu pai e sua mãe. Mesmo que aconteça de alguns tentarem apagar o seu brilho, mantenham os valores dos seus pais".

E continuou:

"Estão dizendo que o Brasil é um país corrupto, mas não é. Nossos líderes se corromperam, mas o povo brasileiro não é corrupto".

Proferidas estas sábias palavras, os alunos foram liberados enquanto recebiam instruções adicionais:"quem encontrar dificuldades procure um dos inspetores, ou os monitores,..."

Fiquei encantado com a disciplina dos jovens, que se direcionavam à sala de aula fileira após fileira, em absoluta organização. É bem verdade que havia um monitor cuidando de cada fila e emitindo ordens para que os procedimentos fossem cumpridos à risca. Tanta disciplina me levou a comentar com meus colegas: "se eu tivesse passado por uma escola dessas, das duas uma: ou eu teria sido expulso, ou eu seria uma pessoa melhor". Aposto na última opção, sim eu seria alguém melhor.

Bom saber que ainda existem escolas assim. Bom saber que alimentam em nossos jovens a esperança de um país livre da corrupção. Eu também acredito nisso. Aliás, o Brasil está mudando.

Durante minha palestra, alguém manifestou que a gestão dos mananciais "cabe ao Estado". Contra-argumentei dizendo que o Estado somos nós, cabe a nós propor, a nós cobrar, a nós falar. Claro que é preciso cuidado ao falar, frente a grandes interesses, mas se nós, formadores de opinião, nos calarmos, o que será?

O Brasil está mudando e a mudança depende de nós, a mudança somos nós.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

A quem traz a mãe no coração

Conhecemos o Fábio tomando cerveja no balcão do Pick Nick, bar em Santa Felicidade, bairro de Curitiba. Jovem robusto, trabalhador e competidor de Jiu Jitsu, sua expressão gentil e voz suave nos proporcionou uma noite agradável, em diálogos sucessivos.

Naquela noite em que travamos contato, Fábio entreteve a mim e minha esposa em conversa fluída e animada, sobre cotidiano, política e religião. Ateu, ele afirmou não crer no céu, mas com uma fala surpreendente: “eu não acredito que o Céu exista, mas eu quero que exista, porque eu quero que a minha mãe possa entrar lá”.

Enternecido com seu pensar, propus a ele um caminho para o céu, com base em cuidados com o próximo, o necessitado, no qual se atende a Jesus. Afinal, a Deus importa que as mães entrem no Paraíso, mas que lá não estejam sozinhas.

A quem traz a mãe no coração, palavras de vida eterna surgem mesmo no bar, na cerveja, seja praticante de artes marciais, seja ateu.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Muda Brasil

Madrugada do dia 18 de maio de 2017, mais uma noite dura de dormir: o Presidente Michel Temer acusado de endossar negociações escusas para barrar a Lavajato. Mais um presidente bambo, o segundo consecutivo, em menos de um ano.

Mais um horizonte de incertezas, com as maiores empresas do país desvalorizadas nas bolsas mundo afora. O que acontecerá daqui para frente? O cenário se revela ainda mais incerto que na queda de Dilma. Lá, ao menos, havia a expectativa de um nome para assumir o poder, mas agora...

O Brasil está todo errado, desde as bases: as famílias estão presas em suas casas, acuadas pela bandidagem, mas vulneráveis às obscenas TVs abertas ou pagas e seus padrões tortos de beleza, estampados em bundas gordas, barrigas tanquinho e braços sarados, tudo recoberto de tatuagens que por vezes mais parecem manchas na pele.

Famílias escancaradas à Internet, que no limite tem ceifado vidas tenras, perdidas para o maligno “desafio” da baleia azul, com jovens entregando a própria saúde e a vida para algum desconhecido distante, em nome de cessar ameaças à sua família. Como se algo fosse pior que a perda de uma vida jovem.

Mesmo a religião que renova o espírito já dá espaço a quem desfigure a orientação espiritual, casos previstos por Jesus, de “cegos guiando cegos”.

O Estado dá suporte financeiro a vagabundos, ladrões, assassinos e estupradores, enquanto suas vítimas têm direito ao pranto e ao tratamento psiquiátrico.

Mesmo a Educação já não firma esperança às novas gerações, com escolas viradas em antros de propagação de comportamentos aleatórios, em uma crise de autoridade tal, que mesmo os professores percebem-se acuados, senão pelos alunos, por seus pais. Condições de trabalho asfixiantes.

Faltam recursos para ações estruturantes, sobram verbas para o futebol, festas e toda sorte de obra pública e negociata política. Aliás, há partidos políticos em excesso e um vazio de orientações ideológicas.

No ambiente democrático entorpecido, brasileiros arrogam a si mais direitos que deveres e ninguém mais se entende.

Uma única certeza: o Brasil precisa estancar a sangria, cessar a corrupção epidêmica, de Norte a Sul e das esferas federal à municipal. Chega de impunidade, chega de jeitinho. E basta de decisões malucas nas vias enviesadas de uma Justiça notabilizada por decisões contraditórias que beneficiam malandros, apenados e bon vivants, em detrimento do homem de bem.

O Brasil precisa acabar com as inversões e refazer uma escala de valores coerente, em que o trabalhador tem direito a salário justo, jornada de trabalho decente, aposentadoria no tempo certo, com valores definidos em coerência ao tempo trabalhado.

O Brasil não pode mais bancar cargos comissionados, benefícios aos ocupantes de cargos públicos, super-salários, aposentadorias estapafúrdias.

O Brasil não aceita mais a cultura da bunda, da malandragem e do jeitinho. O Brasil tem de fechar as portas ao erro, à sacanagem, ao malfeito.

O Brasil tem de preservar o meio ambiente, repeito à vida indígena, desmatamento zero! Punições severas aos predadores da fauna!

O Brasil tem de encontrar a saída para o atoleiro em que se enfiou sua sociedade.

Um bom ponto de partida reside em acabar com a impunidade, as 10 medidas contra a corrupção não podem mais esperar para valer.

Outro bom começo está em reduzir castas sustentadas pela massa trabalhadora. A carga de impostos é altíssima e o retorno de serviços ao cidadão é precário. Isso também tem de mudar.

A Lavajato tem de seguir adiante e literalmente lavar o que está podre em todo e qualquer partido político. O Brasil caiu na cilada ardilosa do maior esquema de corrupção da história mundial. É preciso erradicar esses muitos erros, o Brasil só conseguirá reerguer estando limpo dessa sujeira.

O Luto no Sul de Minas de antigamente

Até metade do Século XX, o luto no Sul de Minas envolvia práticas rígidas para os parentes do falecido, que eram religiosamente seguidas: o ...