16 de dezembro de 2019, um dia de glória! Tive o grande prazer de participar com meu pai no encaixe da última peça de nossa genealogia, praticamente confirmando a confidência de sua mãe, minha Avó Todda, segundo a qual descendemos de João Rodrigues de Macedo, figura proeminente do final do Ciclo do Ouro, o Contratador das Entradas das Minas Gerais, atuante no movimento da Inconfidência!
Um primeiro ajuste se fez necessário, posto que João Rodrigues de Macedo não deixou filhos. Sua herança, portanto, foi partilhada principalmente entre seus 3 sobrinhos, dentre os quais, Antônio Joaquim Rodrigues de Macedo, nosso ancestral direto.
Parte das informações foi obtida por transmissão verbal da Vovó Todda (registradas pelo papai em três folhas pautadas de caderno pequeno) e pelo conhecimento do papai (que memória!): trata-se dos ramos mais recentes da "árvore". Os ramos mais antigos foram obtidos folheando batistérios na cidade de Campanha-MG, textos e Internet.
Ainda há detalhes a se arrematar, mas passo a relatar o que já está esclarecido, a começar pelo mais antigo:
Século XVIII
Maria Rodrigues de Macedo: irmã de João Rodrigues de Macedo. Teve 1 filho:
- Antônio Joaquim Rodrigues de Macedo
Antônio Joaquim Rodrigues de Macedo: sobrinho do Contratador João Rodrigues de Macedo, casou-se com Emerenciana Joaquina de Abreu Macedo e tiveram 2 filhos:
- Angelina Domiciana de Araújo Macedo
- Antônio Júlio de Abreu Macedo (☆1803): casou-se com a irmã de José Francisco de Araújo
Século XIX:
Angelina Domiciana de Araújo Macedo: casou-se em 24.mar.1812 com José Francisco de Araújo (☆ 15.mar.1800). Estes nomes foram obtidos de fonte secundária, respectivamente grafados Angelina Damiana de Araújo Macedo e - em acertas fontes - João Francisco de Araújo. Tais variações foram as últimas peças superadas na montagem da "árvore". Tiveram 6 filhos:
- Antônio Joaquim de Araújo Macedo (☆1828)
- Tia Emerenciana: casou-de com Eufrásio
- Tia Zinha
- Tio Estêvão
- Dr. José Francisco de Araújo Macedo (Tio Macedo, foi Juiz em São Gonçalo do Sapucaí. †out-nov.1903): casou-se com Beralda Guilhermina (Tia Beraldina) e tiveram 9 filhos: Angelina, Agripina, Eponina, Mariquinhas, Clélia, Abner, Odion, Natan
- Tia Rita: casou-se com Joaquim Pio e tiveram 2 filhas: Pureza e Angelina
Antônio Joaquim de Araújo Macedo (☆1828 - ?): casou-se com Graciana e tiveram 9 filhos:
- Maria José Araújo Macedo (Tia Zezé, ☆ ~1851): casou-se com Adolfo e tiveram 3 filhos: Cantilde, Telezila, Dionice
- Tio Chiquinho (☆ ~1853)
- Tia Ritinha (☆ ~1855)
- Tio Pedro (☆ ~1857)
- Maria da Conceição Araújo Penido (Tia Cotinha, ☆ ~1859): casou-se com José Rego Cavalcanti (Tio Reguinho) e teve 6 filhos: Mário, Celuta, Elvira, Marocas, José, Suzana
- Tio Joãozinho (☆ ~1861): casou-se com Zoraida
- Angelina Araújo Penido (Tia Yayá, ☆ ~1862): casou-se com José Arantes (Tio Arantes)
- Emília Araújo Macedo (Vovó Emília, ☆ ~1865)
Emília Araújo Macedo (☆1865 - †1914): casou-se com João Theodoro de Araújo e tiveram WWWW filhos:
- Maria da Conceição Araújo Macedo (Tia Cocota): casou-se com Saturnino de Oliveira e teve 7 filhos: Elza, Hélio, Édina, Maria Emília (Mila), Paulo, José, José Belmiro, Alaísa;
- Tia Almerinda: solteira, faleceu aos 42 anos. Meu pai a descreve belamente como uma estrela, um sol, um anjo. Cuidadosa, depositava um mimo no sapatinho de meu pai, de modo que toda manhã ele encontrava uma bala ou um doce, apesar das parcas condições da Tia Almerinda.
- Aristodema Araújo Penido;
- Aristoclides de Araújo Macedo (Tio Toque): casou-se com Ignes do Prado Macedo (Tia Inezinha) e teve 4 filhos: José de Araújo Macedo, Airto de Araújo Macedo, Aloísio de Araújo Macedo. Darcio faleceu aos 3 anos de idade;
- Jésus José de Araújo Macedo. Vó Todda afirmava que fora batizado Jésus Benedicto do Rosário. Solteiro e sem filhos por sua condição especial de cego, surdo e mudo;
- Alcides (Tio Alcides)
Século XX:
Aristodema Araújo Penido (☆09.abr.1894 - †16.ago.1981): casou-se com José Nogueira Penido e tiveram 5 filhos
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Contações: Mar de vaga-lumes
O causo dos vaga-lumes embalou o sono de minha filha mais de uma vez. Diz respeito a noites refrescantes e agradáveis.
O cair da noite na cidade mineira de Cambuquira envolve em calma e silêncio as águas minerais do parque, que vertem em jorro cristalino incessante.
Este parque, que foi o local preferido de minha infância, mostrava-se ainda mais incrível nas ocasiões em que éramos os últimos a deixá-lo. Em caminhar descontraído, deixávamos a mata e o lago, abandonando seus quiosques ao breu, em meio à sonoridade de grilos e eventuais grasnados de gansos.
Com a escassa iluminacao de lâmpadas incandescentes alocada nas fontes, o trajeto desde o lago ficava bem escuro, cedendo vez à paisagem viva de infindáveis vaga-lumes que vinham festejar aquele espaço ímpar. Meus pais, meus irmãos e eu, maravilhados, ponderávamos se estaria ali uma pirotecnia única em todo o mundo.
Anos mais tarde, no verão calorento de 1982, nos deparamos com algo tão especial quanto, na minha cidade paulista de Cruzeiro. Recém-instalados em nossa casa nova, situada nas franjas do Bosque Municipal e junto a um amplo descampado, estando as ruas do entorno desprovidas de iluminação pública. Da janela do quarto de meus pais, no andar de cima, vislumbrávamos aquele descampado, logo ali, ao lado do bosque, tomado por tantos vaga-lumes quando houveram em Cambuquira. Minha mãe assinalou empolgada: "Quem diria que da janela do meu quarto eu veria o mar de vaga-lumes de Cambuquira?"
O cair da noite na cidade mineira de Cambuquira envolve em calma e silêncio as águas minerais do parque, que vertem em jorro cristalino incessante.
Este parque, que foi o local preferido de minha infância, mostrava-se ainda mais incrível nas ocasiões em que éramos os últimos a deixá-lo. Em caminhar descontraído, deixávamos a mata e o lago, abandonando seus quiosques ao breu, em meio à sonoridade de grilos e eventuais grasnados de gansos.
Com a escassa iluminacao de lâmpadas incandescentes alocada nas fontes, o trajeto desde o lago ficava bem escuro, cedendo vez à paisagem viva de infindáveis vaga-lumes que vinham festejar aquele espaço ímpar. Meus pais, meus irmãos e eu, maravilhados, ponderávamos se estaria ali uma pirotecnia única em todo o mundo.
Anos mais tarde, no verão calorento de 1982, nos deparamos com algo tão especial quanto, na minha cidade paulista de Cruzeiro. Recém-instalados em nossa casa nova, situada nas franjas do Bosque Municipal e junto a um amplo descampado, estando as ruas do entorno desprovidas de iluminação pública. Da janela do quarto de meus pais, no andar de cima, vislumbrávamos aquele descampado, logo ali, ao lado do bosque, tomado por tantos vaga-lumes quando houveram em Cambuquira. Minha mãe assinalou empolgada: "Quem diria que da janela do meu quarto eu veria o mar de vaga-lumes de Cambuquira?"
Contações
Fim de noite, aqui em Curitiba, minha filha pede por minhas histórias. Luzes apagadas, tão logo concluímos as orações, me desdobro a narrar os causos da minha infância na cidade paulista de Cruzeiro-SP, aditivada pelas férias nas estâncias hidrominerais das cidades mineiras de Cambuquira e Lambari, bem como na bela cidade histórica de Campanha. Causo após causo, pouco a pouco, a menina vai embarcando em sonhos. Ali, ao pé da cama, a gatinha Nani aproveita a carona e dorme também.
As narrativas quase focam um só personagem: eu, o menino que corria atrás de pipas esvoaçantes nas tardes ensolaradas do Morro dos Engenheiros, embalado pelas músicas mega-cafonas do alto-falante do Seu Armando, as quais animavam o "Colégio dos Padres", que nos fins de tarde era convertido em "Reino da Garotada".
Naquele tempo, eu podia ir a quase todo lugar, desde que chegasse em casa antes do anoitecer, não fosse longe demais, e - principalmente - nunca entrasse em casa de estranhos. Tratei de esconder de meus pais as tantas vezes que apanhei na rua, a fim de evitar a perda dessas regalias (minha mãe nunca aceitou embates corporais). Mas como minha Cruzeiro contava com apenas 60 mil habitantes, era certo que chegasse ao conhecimento de minha mãe tudo o que acontecesse.
Boa parte de meus folguedos aconteciam na rua de casa, no Morro dos Engenheiros, bem como no Oratório (o Colégio dos Padres, já dito), conforme passo a contar.
O ponteiro do relógio se aproximava das 16h30m. Nas cinco salas de aula, inquietos alunos guardavam seus cadernos, livros e estojos em mochilas, enquanto os professores passavam orientações finais. O diretor Padre Hamilton, senhor esguio e magro, de tez amorenada e cabelo penteado para trás, deixava sua sala, posicionava-se no pátio e postava a mão esquerda diante de seu rosto, passando a olhar atentamente ao relógio analógico em seu pulso. Sua mão direita auxiliava neste processo, com o polegar e o indicador sustentando o dispositivo pelo aro. Olhos cerrados e sobrancelha erguida, aguardava o posicionamento preciso dos ponteiros.
Na outra ponta do pátio, Hélio, seu esforçado auxiliar, sujeito mudo e de curto entendimento, olhava fixamente o diretor, enquanto seu rosto boquiaberto denunciava a tensão no aguardo de sua ordem. E pontualmente, quando de um repente o Padre Hamilton lançava sua mão direita para o lado e para o alto, Hélio prontamente se punha a correr, desembalado, para acionar o sinal, a campainha.
Meia hora após o término das aulas, estando o patio já quase sem alunos, Seu Armando mandava abrir o portão de ferro ao fundo do Colégio dos Padres. Meninos pobres invadiam, correndo para o parquinho, a quadra do futebol de salão e a grande área do futebol de campo. Vários meninos se assomavam à porta da sacristia (a igreja integra o complexo educacional-esportivo), suas mãos ansiosas a requerer bolas e jogos de tabuleiro.
Ah, sim! Os meninos pobres se auto-intitulavam "perdidos"! Ah, não, não se trata de preconceito, pois somente os pobres se referiam aos meninos dessa forma. Fiz amizade com alguns deles, o Marcelino, o Amauri,... e perambulando com estes meus amiguinhos pelas ruas à caça de pipas e outras distrações, fui por vezes repreendido: "Deixa de andar com os perdidos!". Broncas vindas de seus vizinhos, lamentando ver um jovem "rico" de futuro promissor, perdendo tempo com os remediados. Realmente acreditavam que eu não devia estar ali.
Nunca aceitei esse conceito, o de meninos perdidos, pensando comigo: "Perdidos por que? São meus amigos, bons amigos!"
As narrativas quase focam um só personagem: eu, o menino que corria atrás de pipas esvoaçantes nas tardes ensolaradas do Morro dos Engenheiros, embalado pelas músicas mega-cafonas do alto-falante do Seu Armando, as quais animavam o "Colégio dos Padres", que nos fins de tarde era convertido em "Reino da Garotada".
Naquele tempo, eu podia ir a quase todo lugar, desde que chegasse em casa antes do anoitecer, não fosse longe demais, e - principalmente - nunca entrasse em casa de estranhos. Tratei de esconder de meus pais as tantas vezes que apanhei na rua, a fim de evitar a perda dessas regalias (minha mãe nunca aceitou embates corporais). Mas como minha Cruzeiro contava com apenas 60 mil habitantes, era certo que chegasse ao conhecimento de minha mãe tudo o que acontecesse.
Boa parte de meus folguedos aconteciam na rua de casa, no Morro dos Engenheiros, bem como no Oratório (o Colégio dos Padres, já dito), conforme passo a contar.
O ponteiro do relógio se aproximava das 16h30m. Nas cinco salas de aula, inquietos alunos guardavam seus cadernos, livros e estojos em mochilas, enquanto os professores passavam orientações finais. O diretor Padre Hamilton, senhor esguio e magro, de tez amorenada e cabelo penteado para trás, deixava sua sala, posicionava-se no pátio e postava a mão esquerda diante de seu rosto, passando a olhar atentamente ao relógio analógico em seu pulso. Sua mão direita auxiliava neste processo, com o polegar e o indicador sustentando o dispositivo pelo aro. Olhos cerrados e sobrancelha erguida, aguardava o posicionamento preciso dos ponteiros.
Na outra ponta do pátio, Hélio, seu esforçado auxiliar, sujeito mudo e de curto entendimento, olhava fixamente o diretor, enquanto seu rosto boquiaberto denunciava a tensão no aguardo de sua ordem. E pontualmente, quando de um repente o Padre Hamilton lançava sua mão direita para o lado e para o alto, Hélio prontamente se punha a correr, desembalado, para acionar o sinal, a campainha.
Meia hora após o término das aulas, estando o patio já quase sem alunos, Seu Armando mandava abrir o portão de ferro ao fundo do Colégio dos Padres. Meninos pobres invadiam, correndo para o parquinho, a quadra do futebol de salão e a grande área do futebol de campo. Vários meninos se assomavam à porta da sacristia (a igreja integra o complexo educacional-esportivo), suas mãos ansiosas a requerer bolas e jogos de tabuleiro.
Ah, sim! Os meninos pobres se auto-intitulavam "perdidos"! Ah, não, não se trata de preconceito, pois somente os pobres se referiam aos meninos dessa forma. Fiz amizade com alguns deles, o Marcelino, o Amauri,... e perambulando com estes meus amiguinhos pelas ruas à caça de pipas e outras distrações, fui por vezes repreendido: "Deixa de andar com os perdidos!". Broncas vindas de seus vizinhos, lamentando ver um jovem "rico" de futuro promissor, perdendo tempo com os remediados. Realmente acreditavam que eu não devia estar ali.
Nunca aceitei esse conceito, o de meninos perdidos, pensando comigo: "Perdidos por que? São meus amigos, bons amigos!"
sábado, 12 de outubro de 2019
MJB, o Mário
Inicio estas linhas ao som de Radio Gaga, do Queen, a mesma que constava na "fita do Mário", um cassete gravado por este meu amigo e executado nas manhãs em que lidávamos nos TK-85 do laboratório de informática. O TK-85? Uma delícia de micro-computador, da Microsoft e com teclas de borracha, o melhor de sua categoria nos anos 80.
O Mário? Mário José Bittencourt, um dos caras mais inteligentes da minha geração. Tive o imenso prazer de conviver com esse ser humano único. Nosso primeiro contato se deu nas aulas do Book Three do CCAA, sob a tutela de nossa excellent teacher Tânia (funny, smart and beautifull, ai, ai...). Me custava muito aprender essa língua estrangeira, mas o Mário simplesmente dialogava com a teacher em inglês ágil e corrente, ambos animados e, por vezes, às gargalhadas.
Uns três anos depois, reencontrei o jovem Mário já sendo professor de Informática no Colégio Machado de Assis, ocasião na qual passamos a conviver no laboratório de informática. Eu atuava como monitor de meus colegas de 1º ano do Colegial (atual Ensino Médio). No tempo livre entre minhas monitorias e as aulas do Mário, passávamos horas pilotando os TK-85.
E também nos víamos no sábado à noite, quando eu torcia para encontrá-lo "sem querer", garantindo uma noitada de conversa animada e muitas risadas, já que ele não parava de contar piadas e fazer troça sobre o cotidiano.
Naquela época, usar computador significava programar. Enquanto eu programava em Basic, assistia o Mário deslanchar em "linguagem de máquina", o Assembler. Que coisas incríveis ele fazia, como ousava! Tanto, que criou o "MJB Debug", um sistema de múltiplas finalidades para organizar arquivos e revisar códigos de programação, com o objetivo arrojado de auxiliar programadores.
O MJB Debug desempenhava mesmo muitas funcionalidades, e o Mário não cessava de implementar novidades. Aquilo já estava em ponto de se comercializar, mas pena que perdeu a fita-cassete com a versão mais atualizada. Ele nem se interessou em retomar a partir de versão mais antiga, porque a defasagem era enorme.
Daí começou a montar um jogo de labirinto, para o qual preparou vários painéis. Como as aulas já estavam acabando, não chegou a concluir essa iniciativa.
No ano de 1986, muita gente possuía aparelho de vídeo-cassete, muitos da linha "G" da Gradiente, então fervia a locação de fitas de vídeo-cassete (as quais precisávamos devolver rebobinadas, sob pena de multa), A melhor vídeo-locadora da cidade, a do Valtinho, encontrava-se formidavelmente organizada e gerida por um aplicativo computacional repleto de inovações, em conteúdo, lógica operacional e apresentação visual. Sim, desenvolvido pelo Mário.
O Mário enfim dispunha de um aplicativo apto à comercialização, mas não tardou a notícia de estar patenteado a outrem, pelo que teve de abrir mão de mais esta criação.
Mais tarde, foi admitido no ITA, o cobiçado Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Consta que precisou de apenas 6 meses de cursinho para alcançar este feito.
Sua irmã Ana Mara casou-se com meu melhor amigo, o Alberto, pelo que cheguei a pensar que eu voltaria a conviver com o personagem desta narrativa. Mas apenas estive com ele uma única vez, quando me atualizou estar desenvolvendo soluções para os "bipers", os aparelhos intercomunicadores naquele ano de 1995. De despedida, me cadastrou em seu celular, com direito a foto minha registrada por aquele aparelho. Fiquei impressionado.
Desde então, sua irmã Ana me põe a par das venturas e desventuras desse amigo distante. Histórias surpreendentes, desde a perda de uma namorada por conta de umas horinhas a mais de sono, até renitentes ofertas de importantes players do mundo high-tech, por esse profssional tão raro.
Dentre as muitas histórias, vale citar esta: uma operadora de cartões de crédito, às voltas com o longo tempo alocado no registro de cada transação comercial, contratou uma consultoria do Mário. Com acesso franqueado a todo o código de programação, Mário surpreendeu ao apresentar a solução precisa em apenas 40 minutos. Na verdade, ele precisou de apenas 10 minutos para encontrar o problema. E passou o resto do tempo aprendendo sobre as técnicas de programação da contratante.
O Mário? Mário José Bittencourt, um dos caras mais inteligentes da minha geração. Tive o imenso prazer de conviver com esse ser humano único. Nosso primeiro contato se deu nas aulas do Book Three do CCAA, sob a tutela de nossa excellent teacher Tânia (funny, smart and beautifull, ai, ai...). Me custava muito aprender essa língua estrangeira, mas o Mário simplesmente dialogava com a teacher em inglês ágil e corrente, ambos animados e, por vezes, às gargalhadas.
Uns três anos depois, reencontrei o jovem Mário já sendo professor de Informática no Colégio Machado de Assis, ocasião na qual passamos a conviver no laboratório de informática. Eu atuava como monitor de meus colegas de 1º ano do Colegial (atual Ensino Médio). No tempo livre entre minhas monitorias e as aulas do Mário, passávamos horas pilotando os TK-85.
E também nos víamos no sábado à noite, quando eu torcia para encontrá-lo "sem querer", garantindo uma noitada de conversa animada e muitas risadas, já que ele não parava de contar piadas e fazer troça sobre o cotidiano.
Naquela época, usar computador significava programar. Enquanto eu programava em Basic, assistia o Mário deslanchar em "linguagem de máquina", o Assembler. Que coisas incríveis ele fazia, como ousava! Tanto, que criou o "MJB Debug", um sistema de múltiplas finalidades para organizar arquivos e revisar códigos de programação, com o objetivo arrojado de auxiliar programadores.
O MJB Debug desempenhava mesmo muitas funcionalidades, e o Mário não cessava de implementar novidades. Aquilo já estava em ponto de se comercializar, mas pena que perdeu a fita-cassete com a versão mais atualizada. Ele nem se interessou em retomar a partir de versão mais antiga, porque a defasagem era enorme.
Daí começou a montar um jogo de labirinto, para o qual preparou vários painéis. Como as aulas já estavam acabando, não chegou a concluir essa iniciativa.
No ano de 1986, muita gente possuía aparelho de vídeo-cassete, muitos da linha "G" da Gradiente, então fervia a locação de fitas de vídeo-cassete (as quais precisávamos devolver rebobinadas, sob pena de multa), A melhor vídeo-locadora da cidade, a do Valtinho, encontrava-se formidavelmente organizada e gerida por um aplicativo computacional repleto de inovações, em conteúdo, lógica operacional e apresentação visual. Sim, desenvolvido pelo Mário.
O Mário enfim dispunha de um aplicativo apto à comercialização, mas não tardou a notícia de estar patenteado a outrem, pelo que teve de abrir mão de mais esta criação.
Mais tarde, foi admitido no ITA, o cobiçado Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Consta que precisou de apenas 6 meses de cursinho para alcançar este feito.
Sua irmã Ana Mara casou-se com meu melhor amigo, o Alberto, pelo que cheguei a pensar que eu voltaria a conviver com o personagem desta narrativa. Mas apenas estive com ele uma única vez, quando me atualizou estar desenvolvendo soluções para os "bipers", os aparelhos intercomunicadores naquele ano de 1995. De despedida, me cadastrou em seu celular, com direito a foto minha registrada por aquele aparelho. Fiquei impressionado.
Desde então, sua irmã Ana me põe a par das venturas e desventuras desse amigo distante. Histórias surpreendentes, desde a perda de uma namorada por conta de umas horinhas a mais de sono, até renitentes ofertas de importantes players do mundo high-tech, por esse profssional tão raro.
Dentre as muitas histórias, vale citar esta: uma operadora de cartões de crédito, às voltas com o longo tempo alocado no registro de cada transação comercial, contratou uma consultoria do Mário. Com acesso franqueado a todo o código de programação, Mário surpreendeu ao apresentar a solução precisa em apenas 40 minutos. Na verdade, ele precisou de apenas 10 minutos para encontrar o problema. E passou o resto do tempo aprendendo sobre as técnicas de programação da contratante.
quarta-feira, 13 de março de 2019
A Lava-Jato seguirá. O Brasil seguirá.
Cinco anos de Lava-Jato e o STF está enfim a um passo de enterrar a mais surpreendente e bem-sucedida iniciativa anti-corrupção da História. A tão poucos dias da lama de Brumadinho, a tão poucos dias da campanha eleitoral mais politizada e sob a tutela de Sérgio Moro no comando da Justiça, a turma da retranca está prestes a emplacar seu sonhado gol-contra.
Depois de provarmos os incríveis reveses da banda podre corrupta, das malas e apartamentos forrados de propina, das prisões, dos ressarcimentos bilionários aos cofres públicos,... Será este o momento de 214 milhões de brasileiros abrirem mão destas importantes conquistas, em favor do retro-coronelismo?
Depois de nos afundarmos nas crises dos governos que nos drenaram os cofres públicos para plantar estádios de futebol na Amazônia e no Pantanal para consolidar a mais humilhante derrota da História das Copas. O propagado Legado
Com a Venezuela vergando sob o peso do Estado ineficiente, o Rio de Janeiro falido e Minas Gerais esburacada em minas demais...
Não, não é essa a hora de voltar. Os que lutam pelo status-quo podem ser esperto, mas nós somos inteligentes e saberemos seguir em frente e erradicar de uma vez por todas, o mal que já não queremos e não podemos mais aceitar.
O dia 13 de Março de 2019, em nosso luto-.Suzano, não assinala um fim, mas um recomeço. A Lava-Jato seguirá. Com o nome que for, como for, enquadrando os que se comprazem no desserviço à nação.
Depois de provarmos os incríveis reveses da banda podre corrupta, das malas e apartamentos forrados de propina, das prisões, dos ressarcimentos bilionários aos cofres públicos,... Será este o momento de 214 milhões de brasileiros abrirem mão destas importantes conquistas, em favor do retro-coronelismo?
Depois de nos afundarmos nas crises dos governos que nos drenaram os cofres públicos para plantar estádios de futebol na Amazônia e no Pantanal para consolidar a mais humilhante derrota da História das Copas. O propagado Legado
Com a Venezuela vergando sob o peso do Estado ineficiente, o Rio de Janeiro falido e Minas Gerais esburacada em minas demais...
Não, não é essa a hora de voltar. Os que lutam pelo status-quo podem ser esperto, mas nós somos inteligentes e saberemos seguir em frente e erradicar de uma vez por todas, o mal que já não queremos e não podemos mais aceitar.
O dia 13 de Março de 2019, em nosso luto-.Suzano, não assinala um fim, mas um recomeço. A Lava-Jato seguirá. Com o nome que for, como for, enquadrando os que se comprazem no desserviço à nação.
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