sábado, 12 de outubro de 2019

MJB, o Mário

Inicio estas linhas ao som de Radio Gaga, do Queen, a mesma que constava na "fita do Mário", um cassete gravado por este meu amigo e executado nas manhãs  em que lidávamos nos TK-85 do laboratório de informática. O TK-85? Uma delícia de micro-computador, da Microsoft e com teclas de borracha, o melhor de sua categoria nos anos 80.

O Mário? Mário José Bittencourt, um dos caras mais inteligentes da minha geração. Tive o imenso prazer de conviver com esse ser humano único. Nosso primeiro contato se deu nas aulas do Book Three do CCAA, sob a tutela de nossa excellent teacher Tânia (funny, smart and beautifull, ai, ai...). Me custava muito aprender essa língua estrangeira, mas o Mário simplesmente dialogava com a teacher em inglês ágil e corrente, ambos animados e, por vezes, às gargalhadas.

Uns três anos depois, reencontrei o jovem Mário já sendo professor de Informática no Colégio Machado de Assis, ocasião na qual passamos a conviver no laboratório de informática. Eu atuava como monitor de meus colegas de 1º ano do Colegial (atual Ensino Médio). No tempo livre entre minhas monitorias e as aulas do Mário, passávamos horas pilotando os TK-85.

E também nos víamos no sábado à noite, quando eu torcia para encontrá-lo "sem querer", garantindo  uma noitada de conversa animada e muitas risadas, já que ele não parava de contar piadas e fazer troça sobre o cotidiano. 

Naquela época, usar computador significava programar. Enquanto eu programava em Basic, assistia o Mário deslanchar em "linguagem de máquina", o Assembler. Que coisas incríveis ele fazia, como ousava! Tanto, que criou o "MJB Debug", um sistema de múltiplas finalidades para organizar arquivos e revisar códigos de programação, com o objetivo arrojado de auxiliar programadores.

O MJB Debug desempenhava mesmo muitas funcionalidades, e o Mário não cessava de implementar novidades. Aquilo já estava em ponto de se comercializar, mas pena que perdeu a fita-cassete com a versão mais atualizada. Ele nem se interessou em retomar a partir de versão mais antiga, porque a defasagem era enorme.

Daí começou a montar um jogo de labirinto, para o qual preparou vários painéis. Como as aulas já estavam acabando, não chegou a concluir essa iniciativa.

No ano de 1986, muita gente possuía aparelho de vídeo-cassete, muitos da linha "G" da Gradiente, então fervia a locação de fitas de vídeo-cassete (as quais precisávamos devolver rebobinadas, sob pena de multa), A melhor vídeo-locadora da cidade, a do Valtinho, encontrava-se formidavelmente organizada e gerida por um aplicativo computacional repleto de inovações, em conteúdo, lógica operacional e apresentação visual. Sim, desenvolvido pelo Mário.

O Mário enfim dispunha de um aplicativo apto à comercialização, mas não tardou a notícia de estar patenteado a outrem, pelo que teve de abrir mão de mais esta criação.

Mais tarde, foi admitido no ITA, o cobiçado Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Consta que precisou de apenas 6 meses de cursinho para alcançar este feito.

Sua irmã Ana Mara casou-se com meu melhor amigo, o Alberto, pelo que cheguei a pensar que eu voltaria a conviver com o personagem desta narrativa. Mas apenas estive com ele uma única vez, quando me atualizou estar desenvolvendo soluções para os "bipers", os aparelhos intercomunicadores naquele ano de 1995. De despedida, me cadastrou em seu celular, com direito a foto minha registrada por aquele aparelho. Fiquei impressionado.

Desde então, sua irmã Ana me põe a par das venturas e desventuras desse amigo distante. Histórias surpreendentes, desde a perda de uma namorada por conta de umas horinhas a mais de sono, até renitentes ofertas de importantes players do mundo high-tech, por esse profssional tão raro.

Dentre as muitas histórias, vale citar esta: uma operadora de cartões de crédito, às voltas com o longo tempo alocado no registro de cada transação comercial, contratou uma consultoria do Mário. Com acesso franqueado a todo o código de programação, Mário surpreendeu ao apresentar a solução precisa em apenas 40 minutos. Na verdade, ele precisou de apenas 10 minutos para encontrar o problema. E passou o resto do tempo aprendendo sobre as técnicas de programação da contratante.






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