domingo, 23 de abril de 2017

Na padaria, um diálogo sobre vida

Nesta manhã, na padaria, aguardando concluírem o corte de queijo e mortadela para a cliente à minha frente, uma jovem de tênis, calça justa de moleton e agasalho, com seus cabelos longos levemente encaracolados, pintados em tons loiros e umedecidos. Na porta do estabelecimento, atrás de nós, se postam duas mulheres, as quais já tinha visto há alguns dias, na linha de ônibus São Bernardo, sentido centro, quando percebi serem mãe e filha, sendo a filha portadora de necessidades especiais, de pouca fala, mas sempre mantendo um sorriso que varia de intensidade na medida em que demonstra acompanhar os acontecimentos à sua volta. Muito animada, sua mãe tem um bebê no colo, de uns 4 meses: "É o meu neto!"

A moça loira se volta para elas, se mostrando surpresa: "mas eu nem vi ninguém grávida!", ao que a avó responde "É adotado!", adentrando o ambiente e se postando próximo a nós, junto ao balcão. A jovem sorri, ainda incrédula: "Sério?"

Eu passo a observar o menino de cabelos escuros e curtos, sombrancelhas curvas, Chupeta à boca, mãozinhas segurando o paninho, seus olhos calmos e observadores transmitindo paz.

A avó continuou, animada: "a mãe queria o aborto, mas minha filha Roxane convenceu a não abortar, prometendo registrar a criança em seu nome. Agora só falta sair a guarda!"

Eu sigo olhando o menino, agora com mais curiosidade, este pequeno testemunho de vida.

A atendente agora está livre e recebe o meu pedido de 8 pães, tipo francês.

Ao ser perguntada se "estão morando contigo?", a avó contrai a face demonstrando insatisfação e esclarecendo que "não. Mas ele fica alguns dias comigo, daí alguns dias com a Roxane e um dia com a mãe dele mesmo. Ela é casada e ele também não queria".

Pego o pacote bege de pães e pago a conta, enquanto a avó conclui: "ele tem duas mães, dois pais e quatro avós!". A mulher ao seu lado, sua filha especial, olha com alegria para a mãe e seu novo sobrinho.

Deixo a padaria, refletindo enquanto caminho para o carro. Reflito em como o amor dá vida e multiplica os bens.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Liberdade ao Tonhão

No próximo dia 13 de Junho completam 3 anos que Tonhão foi acordado em sua casa, na madrugada, e retirado de lá algemado, deixando esposa e filha neném. Não se sabe quem o acusou. 

Em sua casa e em seu carro não haviam drogas ou armas, mas de lá para cá, Tonhão já passou pela cadeia pública de Cruzeiro e o presídio de Potim. Atualmente está no presídio de Tremembé. Outras pessoas estão reclusas, suspeitas de participarem do mesmo crime, o assassinato de uma jovem. Ao Tonhão coube a acusação de ter entregado a arma do crime ao assassino, acusação mais tarde acrescida da entrega de drogas.

Já se provou a inocência de Tonhão quanto à entrega das drogas. Desta acusação ele foi absolvido. Cabe à justiça agora desvendar como foi possível ao Tonhão entregar a arma junto às drogas que não entregou. Todavia, o melhor mesmo é aguardar a conclusão do processo judicial, do qual se espera celeridade, resgatando a reputação de um pai de família querido em sua comunidade.

Celeridade é o que se espera da Justiça brasileira. A mesma Justiça que já se mostrou tão ágil ao anular todo o processo contra Genoíno, ao liberar o operador amigo do Eike, ao contornar a prisão de Guido Mantega para que ele acompanhasse a esposa enferma.

A Adriana Ancelmo foi permitido o convívio familiar, fato somente possível por estar obrigada a permanecer no apartamento, ação escassa no passado de jantares, festas e eventos junto ao marido que a mimava enquanto lesava o Estado do Rio de Janeiro. Porque Tonhão, apontado de forma tão etérea (uma foto no facebook), por tão leviano crime (a improvável entrega de arma e drogas a um bandido), segue encarcerado, distante de sua família?

Porque a suspeição de crime insere mais um prisioneiro em um sistema que já não comporta apenados? Porque o julgamento do Tonhão é tão arrastado? Porque não conceder liberdade a um homem sem passaporte, influência política nem dinheiro que justificassem o mais remoto temor pela fuga de um pai de família com residência fixa?

O dia 13 de Junho completará três anos da prisão do Tonhão. Mas neste próximo dia 28 de Abril está agendado o comparecimento do Tonhão ao Tribunal, evento este que já foi adiado duas vezes. No dia 28 de Abril, a Justiça brasileira tem uma ótima oportunidade de evitar que um terrível equívoco faça aniversário.

Sou amigo da mãe do Tonhão, mulher trabalhadora e honesta. Por reconhecer as virtudes desta mulher, a quem muito preocupa a ausência paterna na criação de sua netinha, faço singelo apelo a quem está responsável pelo processo do Tonhão, que cumpra seu dever e com a celeridade cabível, dê conclusão a este processo.


Peço também ao Senhor Deus, o Juiz dos juízes: Senhor, dai o Tonhão, sua vida de volta.

O Luto no Sul de Minas de antigamente

Até metade do Século XX, o luto no Sul de Minas envolvia práticas rígidas para os parentes do falecido, que eram religiosamente seguidas: o ...