Não é engraçado? Fernandópolis, no interior de São Paulo, inovou ao decretar toque de recolher para menores. Os resultados foram animadores para diversos índices de criminalidade, chegando a zerar a autuação de menores portando armas de fogo.
E não é que derrubaram a lei que havia conseguido a melhora no cenário criminal? Procurei na Internei por respostas e pelos autores do processo, mas não consegui um consenso do que motivou a derrubada de uma lei tão benvinda.
Eu estive em Tupi Paulista, no interior de São Paulo, em duas ocasiões: no ano 2000 e em 2009. Em ambas, percorri as ruas da cidade em noites de um dia de semana. Na primeira ocasião me encantei com a cidade e morro de saudades. Na segunda, me assustei muito ao perceber, após às 21h, a rua ser tomada por jovens e mais jovens, meninos e meninas, em atitude de azaração. Eram tão jovens que alguns não passavam mesmo de crianças crescidas.
Fiquei muito triste ao pensar que a vida noturna provê mais revés que sorte, enquanto essa gente nova arrisca tanto (uma vida inteira) por tão pouco (uma noitada)... E triste de pensar que seus pais talvez desejassem que não fosse assim, mas impedir de que jeito, nos dias de hoje? Nossa cultura pós-Ditadura conseguiu reduzir o odiável sentido da 'autoridade' a um nível temerário, em que já não mais é exercida nem mesmo em casa.
Na ocasião, soube de Fernandópolis, com seu toque de recolher vigente. Torci por igual socorro a Tupi Paulista. Esquece.
Você, estimado leitor, pode achar exagero meu. Espero que esteja certo. Mas já vi tanta coisa dar errado na vida dos meus jovens companheiros. A maior parte morreu cedo demais, em acidentes automobilísticos. Outra parte perdeu cedo a juventude por conta dos desvios impostos às suas perspectivas futuras, consequência de seus próprios erros. Alguns assumiram vícios, que carregam ainda hoje. Graças a Deus, boa parte seguiu vivendo, mas considerando as oportunidades de risco criadas, só posso mesmo acreditar que vale dar tempo ao tempo, ou, como nos ensinavam na escola: "não colocar a carroça na frente dos bois".
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Em drogas
Começo este texto sem saber qual título terá, porque falo de gente muito próxima, sempre em meu coração, apesar do pouco contato que tivemos.
Com apenas 8 anos de idade fumou o primeiro baseado. Ele tão teve chance, não teve escolha: com uma natural dificuldade de evitar uma vontade, aos 12 já estava viciado. Minha família lhe era uma referência, acorrendo a nós algumas vezes. Sentado na sala, como um jovem hippie, explicava entusiasmado que havia queimado as trocas de roupa que recebera, pois era deus. Em outra ocasião, insistiu que dormiria em nossa casa, uma casa cheia de crianças. Em sua cintura, uma enorme faca.
Sua relação familiar, no seio de sua família, foi triste e violenta, nem sei dizer a quem foi pior. Sua mãe era pele e osso - sem exagero - de tanto sofrer, um sofrimento muitas vezes provocado e imposto por um filho obcecado pelas drogas. Em casa nada possuíam, pois qualquer item era logo vendido ou trocado. Certa tarde apareceu no portão de casa oferecendo um xaxim de samambaia.
As oportunidades de frequentar nossa casa nem foram tantas assim, se comparadas à frequência na delegacia, em unidade de tratamento, no sanatório. A prisão chegou a ser acionada pela própria mãe, que encenava verdadeiros teatros e casualidades, temendo a represália do filho. A encenação era tanta, que ao menos uma vez, ela impediu mesmo que ele fosse preso.
Eu já era adulto e cheguei a visitá-lo no Sanatório. Seus dedos da mão direita sempre escurecidos, pelo uso frequente do cigarro, talvez sua unica distração. Em algumas ocasiões, ele bem que se esforçava, mas não conseguia articular palavra. Em outras, com dificuldade, formou frases que já não expressavam sentimento, apenas respondia às minhas perguntas. Ele demonstrava uma calma alegria de estar com alguém conhecido.
Ainda o vi circulando pelas ruas, à noite, em companhia prá lá de suspeita. O convidei a tomar um refrí, no que ele recusou, mostrando que tinha que seguir adiante. Insisti, de nada adiantou. Pensei em intimar. Mas só retardaria um pouco o inevitável.
Sua mãe repetia sempre que tinha fé em sua recuperação, mas já havia virado um lema vazio, não tinha mais como. Ele já tinha mais de 40 anos! Alguns anos antes, ela passou o Natal conosco, ficando em casa mais alguns dias. Minha mãe a encontrou a tatear, com ambas as mãos, a parede branca da sala. Perguntada do que fazia, respondeu: 'Aqui havia tanta vida, tanta alegria...'.
Ao conversar com sua mãe pela uma última vez, notei uma inesperada alteração em seus anseios, a fé havia se esvaído. Duas semanas após, ele jazia nos fundos de sua casa. Sua mãe, chorando sobre seu corpo, lamentando a morte do - agora - melhor filho do mundo, assumindo a insana decisão de haver contratado um matador. No jornal, uma nota fria, incapaz de uma mínima centelha do horror ao qual aquela mãe esteve submetida nas últimas três ou quatro décadas.
Descanse na paz de Deus, meu primo, descanse na paz de Deus, minha prima.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Nestlé mata águas de Minas
A Nestlé está acabando com a água mineral de São Lourenço-MG. Cada vez que tomo par dessa história, está pior que da vez anterior.
Era só a água. E nenhuma única nota na imprensa...
O que estão fazendo com a água dos brasileiros? Quem defende a nossa água?
A Nestlé está acabando com a água mineral de São Lourenço-MG. Cada vez que tomo par dessa história, está pior que da vez anterior.
Era só a água. E nenhuma única nota na imprensa...
O que estão fazendo com a água dos brasileiros? Quem defende a nossa água?
Repasso essa denúncia porque conheço bem a região e conheço parte da história. Os demais são fatos novos, mas são tantos que me assustaram.
Nestlé mata Água Mineral São Lourenço (As águas turvas da
Nestlé)
Há
alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São
Lourenço para fabricar a água marca PureLife.
Diversas
organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.
As
águas minerais, de propriedades medicinais e baixo custo, eram um
eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em
desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios
farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas
o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, curam a
anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.
Para
fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde,
desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A
desmineralização de água é proibida pela Constituição.
Cientistas
europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e
acrescenta sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a
PureLife é uma água química. A Nestlé está faturando em cima de um bem
comum, a água, além de o estar esgotando, por não obedecer às normas de restrição
de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos
desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do
permitido.
Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades.
Durante
anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve
essa licença no início de 2004.
Um
dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São
Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao
governo e à imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça,
para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja
Católica, Grupos Socialistas e a ONG verde ATTAC uniram esforços contra a
Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.
Em
janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu
interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo
Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a
fábrica da Nestlé em São Lourenço. No dia seguinte, no entanto, o governo
de Minas (PSDB), baixou portaria regulamentando a atividade da Nestlé. Ao
invés de aplicar multas, deu-lhe uma autorização, mesmo ferindo a legislação
federal.. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma
corporação privada de histórico duvidoso.
Se
a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando
o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais
de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão. Em uma
dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço,
envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu
pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca. Teria sido avisado
de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando
do barulho em São Lourenço.
Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro. A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero. E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento.
Sim,
é a mesma famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de
denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores,
para substituir leite materno por produtos Nestlé, em um dos
maiores crimes contra a humanidade.
A
vendedora de leites e papinhas "substitutos" estaria envolvida
com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo
informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa:
compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e
informação. Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a
legislação, permitindo a desmineralização "parcial" das águas.
O que é isso? Como será regulamentado?
Se
a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada
fez, como irão fiscalizar agora a tal desmineralização
"parcial"? Além do que, "parcial" ou "integral",
a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo
o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa
à Nestlé? O que nós, cidadãos, ganhamos com isso?
É
simples. Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo
caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de
água. É para essas empresas que o governo governa? Uma vergonha !!!
Colabore.
Transmita estas informações para outras pessoas e não consuma o que
prejudica a saúde.
Mais
informações sobre o caso Nestlé em http://www.circuitodasaguas.org/
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Alienados
Com 44 anos de vida, já devia viver com aquela impressão de já ter visto um pouco de tudo, que qualquer coisa seria mais do mesmo. Não sinto assim.
A programação da TV me parece estagnada e desinteressante, mas o noticiário... saber que um ônibus é queimado por dia em Sampa, de gente atropelando gente, de assaltantes agindo com crescente liberdade, e sempre em liberdade! Hoje mesmo, de novo, um agente dizendo algo como 'tem 19 anos e já é quarta vez que vai prá cadeia'. Devo ter ficado ruim de conta: ele conseguiu 4 canas em menos de dois anos de maioridade? Ou contabilizaram as passagens pelos internatos da vida?
Arrecadação para pagar fiança de apenado... de tão inovador, vou deixar prá pensar mais tarde.
Mas o que mais me deixou estarrecido: desde dezembro tem havido uma movimentação danada para aprovar uma lei que libera todo tipo de empreendimento nos mananciais de abastecimento público do Estado do Paraná. E praticamente nenhuma nota na imprensa...
O tal Projeto de Lei foi retirado da pauta na Assembléia Legislativa quando estava prestes a ser votado. E ia passar! Então ontem teve audiência pública sobre o tema. Lá estavam representantes de instituições e da sociedade civil, além de 2 Deputados Estaduais, gente do Ministério Público e Promotor de Justiça.
Tinha notícia de reserva de Mata Atlântica negociada por órgão ambiental, de pedido para extrair minério em manancial de Curitiba,... A Cidade Ecológica, a um passo de contaminar a água, o bem maior do vivente. Nenhuma única nota na imprensa...
Essa alienação coletiva, hibernação, sei lá! Midas acordou do torpor da pior forma: a água virava minério! E pensaram que o Brasil acordou...
E overdose de notícias importantes: copa, violência, mensalão, novela. Pena que desaprendi a ver BBB!
Escrever é um consolo, saber de você lendo, uma alegria!
A programação da TV me parece estagnada e desinteressante, mas o noticiário... saber que um ônibus é queimado por dia em Sampa, de gente atropelando gente, de assaltantes agindo com crescente liberdade, e sempre em liberdade! Hoje mesmo, de novo, um agente dizendo algo como 'tem 19 anos e já é quarta vez que vai prá cadeia'. Devo ter ficado ruim de conta: ele conseguiu 4 canas em menos de dois anos de maioridade? Ou contabilizaram as passagens pelos internatos da vida?
Arrecadação para pagar fiança de apenado... de tão inovador, vou deixar prá pensar mais tarde.
Mas o que mais me deixou estarrecido: desde dezembro tem havido uma movimentação danada para aprovar uma lei que libera todo tipo de empreendimento nos mananciais de abastecimento público do Estado do Paraná. E praticamente nenhuma nota na imprensa...
O tal Projeto de Lei foi retirado da pauta na Assembléia Legislativa quando estava prestes a ser votado. E ia passar! Então ontem teve audiência pública sobre o tema. Lá estavam representantes de instituições e da sociedade civil, além de 2 Deputados Estaduais, gente do Ministério Público e Promotor de Justiça.
Tinha notícia de reserva de Mata Atlântica negociada por órgão ambiental, de pedido para extrair minério em manancial de Curitiba,... A Cidade Ecológica, a um passo de contaminar a água, o bem maior do vivente. Nenhuma única nota na imprensa...
Essa alienação coletiva, hibernação, sei lá! Midas acordou do torpor da pior forma: a água virava minério! E pensaram que o Brasil acordou...
E overdose de notícias importantes: copa, violência, mensalão, novela. Pena que desaprendi a ver BBB!
Escrever é um consolo, saber de você lendo, uma alegria!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Jonnie Utah
Sabadão à noite, meu irmão saindo com os amigos, entre eles o Jonnie Utah. Mostrei ao Jonnie em um pequeno papel, o desenho dela. Orgulhoso - é claro - dos traços abstratos que transmitiam de forma certa o retrato da garota fofa que tinha visto naquela manhã, eu disse com determinação: "me avise se vir isso!". Decepção minha, o Jonnie retrucou, preocupado em mostrar entendimento da obra: "um dadinho?"
Jonnie Utah, o Juliano, o Jú, irmão do Cassiano, o Cacá! Convivemos desde que nos mudamos para o outro lado da rua, quase à frente da casa dele, em 1981. Tinha cerca de 5 anos, a mesma idade do meu irmão. Eu, com 12 anos não perdia tempo e, sempre que dava, brincava com eles, ainda não queria liquidar a fatura da infância. Permaneceu Jú por muito tempo, até estrelar nas telas o Keanu Rivees, no filme "Caçadores de Emoção", na pele do Jonnie Utah: era a cara do Jú!
Eu andava diariamente empenhado em cumprir à risca o cronograma de três meses de estudos, conseguir meu passaporte para novos dias. Começava o dia às 9 horas e só fechava prá dormir. Intervalo só para café, ducha fria, mate gelado, caminhada,...
Em toda manhã, certo como um relógio, um som intermitente, lento, rápido, forte, em diferentes tonalidades, até entrar em um ritmo muito parecido com "Loucademia de Polícia". Era o Jonnie, irmão, treinando tuba para a próxima apresentação. Eu sorria e tocava a estudar, acompanhado da melodia cotidiana. E sempre que podia, reclamava do treino com bom ânimo, dizendo que ia pendurar na minha janela uma gaiola com um trinca-ferro, ia deixar lá o dia todo! O Jonnie ria às gargalhadas! Eu devia ter comprado era uma araponga...
Paulista paranaense
1. Paraná, mas é só um paulista.
Quero falar, mas se não tenho voz?
Quero gritar, mas o silêncio penaliza menos;
Quero lutar, mas um lanceiro-negro sem armas na boca da noite;
Então acender a luz, mas o apagão é certo;
Posso mudar, bastaria tão pouco para conseguir tanto muito!
Pensar, se minha atenção não escoasse nas imagens vazias da TV;
Ao menos reconhecer, mas os espelhos já iludiram tanto...
Acreditar, mas as promessas são apenas marketing;
Quero chorar, mas já foi o país das águas.
2. Um paulista, mas paranaense
Os tempos são difíceis, mas sou inteligente
sou só mais um, é onde faço a diferença!
ainda 'o melhor da vida vai começar'
cheio de amor, cheio de vontade;
vou adorar transmitir, repassar!
viver a vida, a grande vitória!
3. um brasileiro
Berço paulista,
Ousadia carioca,
Alma mineira,
Curiosidade catarinense,
Coração paranaense.
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