Vivemos uma era de grandes êxitos algemada a conceitos caducos. Um deles é a iniciativa e gestão individual de bens comuns. Explico: uma empresa de ônibus, por exemplo, conduz passageiros - transporte coletivo, por um sistema viário - bem público, consumindo petróleo - recurso natural não-renovável, produzindo dióxido de carbono - nocivo ao meio-ambiente. Este ciclo implica ainda o desgaste do pavimento viário, que em algum momento haverá de ser recuperado - com recursos oriundos dos usuários, seja através de impostos ou pedágios.
Pois bem, trafego semanalmente entre Curitiba e São Paulo em ônibus. As viações que atendem a essa linha são quase exclusivamente a Cometa e a Itapemirim. Concorrem em horários similares de partidas e chegadas, ou seja, uma partida da Cometa implica em uma partida da Itapemirim, e vice-versa. A frequência de partidas é maior nos ditos horários de pico, às 7h, 18h e também 23h, com partidas a intervalos de minutos No mais, alguns carros-extras alocados em feriados.
Minha experiência na lida com estas empresas de viação mostra que concorrência e horários estão alienados das necessidades do público a que atendem. Há horários de espera descobertos sem uma única partida na linha São Paulo-Curitiba e de maior espera ainda, quando engrosso uma fila de passageiros obrigados a aguardar a próxima partida, tanto na Cometa, quanto na Itapemirim. Há também - e esse é ponto a partir do qual lanço a ideia da Gestão Simbiótica - carros que partem com poucos passageiros. Já viajei junto 5 outros passageiros, um desperdício crítico de recursos acentuado pelo fato de a outra empresa também haver destinado um carro no mesmo momento de escassa procura.
Considerando que cada empresa realiza duas dezena de viagens ao dia, em que casos como os citados acima se repetem de uma forma ou de outra, é sensato ponderar que o sistema de concorrência em questão é inadequado. Ora, trata-se da livre concorrência, inerente aos sistemas capitalista e democrático vigentes, os melhores já produzidos pela humanidade. O fato de serem os melhores não significa que não possam ser melhorados. E o exemplo aqui citado, das viações de ônibus são apenas emblemáticos do que ocorre a todo instante, nas mais diversas áreas e situações:
- Empresas de transporte aéreo consumidoras vorazes de recursos não-renováveis também vivem dilemas semelhantes, horários de partida pré-definidos implicando ora em vôos vazios, ora no atendimento parcial da demanda. Indústrias produzindo uma gama de produtos similares e destinados a um mesmo fim, geralmente com uma significativa perda devido a não haver a suposta demanda.
- Empresas de serviços construindo e destruindo valores num consumo asoberbado de recursos e de resultados duvidosos.
Governos incapazes de prover bem estar a suas populações, perdidos no compasso do tempo, agonizando à espera da entrada do próximo mandatário, quem sabe, capaz de lidar com as mazelas que emperram a máquina governamental.
Prêmios lotéricos destinando vultosos valores ao deus-dará, largas somas de dinheiro investidos em um único premiado, quando justo, regido pela sorte.
E o planeta já dá sinais claros de não dar conta do compasso em que vai a humanidade. "There's no Planet B".
A solução pode estar no ajuste do modelo gerencial, compartilhado e benéfico ao empreendimento e à sociedade.