Até metade do Século XX, o luto no Sul de Minas envolvia práticas rígidas para os parentes do falecido, que eram religiosamente seguidas: o uso de roupa negra para as mulheres ou de uma faixa preta na lapela ou braço para os homens. A duração do luto variava conforme o parentesco: para as viúvas, durava a vida toda. Era de um ano para os que perdiam pai ou mãe, de seis meses para a perda de irmãos.
As janelas da casa permaneciam fechadas até a missa de Sétimo Dia. O papel de cartas recebia contorno preto à sua volta ou um risco preto grosso em seu canto superior.
Após transcorrida a metade desses tempos, o luto já podia ser “aliviado”. Aliviar o luto significava poder introduzir o uso de vestidos ou blusas estampadas de preto e branco. Podia-se também usar uma blusa branca ou estampada com saia preta.
Havia superstições: como os necrotérios eram de pequeno tamanho, nas poucas cidades que o tinham, o velório era quase sempre feito na residência do defunto. À saída do cortejo, limpava-se a casa, com o cuidado de não retirar a sujeira pela porta da frente, para não atrair outra morte muito próxima no seio da família.
Se por um lado, a prática do luto significava respeito ao morto e solenizava sua morte, por outro aprofundava e prolongava o já difícil sentimento da perda.
