quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Jovens em risco

Não é engraçado? Fernandópolis, no interior de São Paulo, inovou ao decretar toque de recolher para menores. Os resultados foram animadores para diversos índices de criminalidade, chegando a zerar a autuação de menores portando armas de fogo.

E não é que derrubaram a lei que havia conseguido a melhora no cenário criminal? Procurei na Internei por respostas e pelos autores do processo, mas não consegui um consenso do que motivou a derrubada de uma lei tão benvinda.

Eu estive em Tupi Paulista, no interior de São Paulo, em duas ocasiões: no ano 2000 e em 2009. Em ambas, percorri as ruas da cidade em noites de um dia de semana. Na primeira ocasião me encantei com a cidade e morro de saudades. Na segunda, me assustei muito ao perceber, após às 21h, a rua ser tomada por jovens e mais jovens, meninos e meninas, em atitude de azaração. Eram tão jovens que alguns não passavam mesmo de crianças crescidas.

Fiquei muito triste ao pensar que a vida noturna provê mais revés que sorte, enquanto essa gente nova arrisca tanto (uma vida inteira) por tão pouco (uma noitada)... E triste de pensar que seus pais talvez desejassem que não fosse assim, mas impedir de que jeito, nos dias de hoje? Nossa cultura pós-Ditadura conseguiu reduzir o odiável sentido da 'autoridade' a um nível temerário, em que já não mais é exercida nem mesmo em casa.

Na ocasião, soube de Fernandópolis, com seu toque de recolher vigente. Torci por igual socorro a Tupi Paulista. Esquece.

Você, estimado leitor, pode achar exagero meu. Espero que esteja certo. Mas já vi tanta coisa dar errado na vida dos meus jovens companheiros. A maior parte morreu cedo demais, em acidentes automobilísticos. Outra parte perdeu cedo a juventude por conta dos desvios impostos às suas perspectivas futuras, consequência de seus próprios erros. Alguns assumiram vícios, que carregam ainda hoje. Graças a Deus, boa parte seguiu vivendo, mas considerando as oportunidades de risco criadas, só posso mesmo acreditar que vale dar tempo ao tempo, ou, como nos ensinavam na escola: "não colocar a carroça na frente dos bois".


Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Luto no Sul de Minas de antigamente

Até metade do Século XX, o luto no Sul de Minas envolvia práticas rígidas para os parentes do falecido, que eram religiosamente seguidas: o ...