domingo, 22 de fevereiro de 2015

Docentes: os gigantes do Paraná


Percorri a calçada da Assembleia Legislativa do Paraná na manhã chuvosa de sexta-feira. Os estragos dos embates no dia anterior, 12 de fevereiro de 2015, ainda eram visíveis: o portão principal caído no chão, porções das grades de aço reerguidas e escoradas ao restante da grade que circunda a Alep. Inúmeras faixas afixadas por todo lado e professores ainda acampados nas muitas barracas espalhadas ao redor.

Dentre as barracas, sob uma lona azul, professores e professoras tomavam o café-da-manhã em uma conversa animada. Me aproximei deles e, timidamente, a uns dois metros de distância, disse "Parabéns, estou extremamente orgulhoso de vocês", colhendo um uníssono e alegre "obrigado". Sem me virar e mantendo olhar fixo neles, dei alguns passos para trás, juntei minhas mãos, trazendo-as à boca e beijando-as em um gesto afetuoso para com os professores, pronunciando mais um "parabéns".

Aqueles que agora saboreavam o tranquilo café haviam demonstrado enorme valor nos dias que se passaram, expondo-se a toda sorte de desconforto, na defesa de seus ideais. Lutaram contra a imposição de leis, vencendo obstáculos que se assomavam, como as barreiras da polícia militar e da tropa de choque, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e golpe mata-leão, sem contar o calor inclemente e as torrenciais chuvas de verão.

Os professores da rede estadual do Paraná brindaram o Brasil com sua melhor aula: o exercício prático da cidadania e dignidade humana, a resistência civil valorizando a democracia.

Suas armas? Sombrinhas contra a chuva, lenços contra o gás, palavras de ordem.

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” (Bertold Brecht)

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