Percorri a
calçada da Assembleia Legislativa do Paraná na manhã chuvosa de sexta-feira. Os
estragos dos embates no dia anterior, 12 de fevereiro de 2015, ainda eram
visíveis: o portão principal caído no chão, porções das grades de aço reerguidas
e escoradas ao restante da grade que circunda a Alep. Inúmeras faixas afixadas
por todo lado e professores ainda acampados nas muitas barracas espalhadas ao
redor.
Dentre as
barracas, sob uma lona azul, professores e professoras tomavam o café-da-manhã em
uma conversa animada. Me aproximei deles e, timidamente, a uns dois metros de
distância, disse "Parabéns, estou extremamente orgulhoso de vocês",
colhendo um uníssono e alegre "obrigado". Sem me virar e mantendo
olhar fixo neles, dei alguns passos para trás, juntei minhas mãos, trazendo-as à
boca e beijando-as em um gesto afetuoso para com os professores, pronunciando
mais um "parabéns".
Aqueles que
agora saboreavam o tranquilo café haviam demonstrado enorme valor nos dias que
se passaram, expondo-se a toda sorte de desconforto, na defesa de seus ideais.
Lutaram contra a imposição de leis, vencendo obstáculos que se assomavam, como as
barreiras da polícia militar e da tropa de choque, bombas de gás lacrimogêneo,
spray de pimenta e golpe mata-leão, sem contar o calor inclemente e as
torrenciais chuvas de verão.
Os
professores da rede estadual do Paraná brindaram o Brasil com sua melhor aula:
o exercício prático da cidadania e dignidade humana, a resistência civil
valorizando a democracia.
Suas armas?
Sombrinhas contra a chuva, lenços contra o gás, palavras de ordem.
“Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém
diz violentas as margens que o comprimem.” (Bertold Brecht)
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