No mais, imagino que contaremos um pouco de nossa história ou de nossas grandezas. Narrativas da conhecida sequência descobrimento - escravidão - ditadura? Das riquezas naturais, cidades-patrimônio da humanidade (Unesco), Carnaval e futebol?
Melhor seria mostrar as grandezas nas quais somos imbatíveis: malas forradas de dinheiro em espécie revelariam ao mundo nossa pujança econômica, dinheiro na cueca exaltaria nossa criatividade.
Que tal Balbina, a gigantesca hidrelétrica incapaz de iluminar um único estádio de futebol? Ou nossa capacidade ímpar de gestão do sistema elétrico, com dois apagões no curto espaço de 15 anos? Faríamos sucesso com a UHE Barra Grande, a hidrelétrica que em pleno século XXI inundou uma floresta de araucárias!
Que tal nossas obras que dispensam terremotos e ciclones para vir abaixo? Os edifícios Palace II e Liberdade, ambos no Rio de Janeiro, a Ponte dos Remédios e a Linha Amarela do Metrô em São Paulo, a ponte da Régis Bittencourt em Campina Grande do Sul-PR,...
Nossas telecomunicações, com telefonia fixa cobrada duplamente em pulsos e assinatura, enquanto as ligações de celular são derrubadas de propósito, forçando o usuário a fazer mais ligações. Comunicaremos essa ao mundo todo, só no Brasil é assim!
Nosso progresso sobre rodas: cargas levadas a distâncias intercontinentais sobre caminhões tocados a 'rebite', em pistas pedagiadas e esburacadas. O trânsito-tartaruga de nossas grandes cidades. Nossos carros, os mais caros do mundo. A gasolina de um país auto-suficiente em petróleo, enxertada de porcarias. Nosso álcool combustível, de futuro sempre incerto, disputando nossa 'terra roxa' com a produção de alimentos.
Nosso progresso sobre trilhos: o abandono da rede ferroviária nacional, a construção da interminável Norte-Sul e da enferrujada Transnordestina (assim disse o New York Times),... Falando em trans, que tal a Transposição das águas do São Francisco, essa ninguém tem, nem nós!
Nosso progresso sobre águas: a rede fluvial praticamente nula e os lentos portos marítimos, incapazes de escoar as grandes safras, regadas com as maiores cargas de agrotóxicos de todo o planeta!
As águas, nossa maior riqueza, sob a gestão competente da Nestlé, marca mundial que está destruindo o Parque das Águas de São Lourenço, com riscos de compremeter as prodigiosas águas minerais do Sul de Minas, entre elas a Gasosa de Cambuquira, a melhor de todas as águas!
Nosso Aquífero Guarani, ameaçado pelo Fracking, que começa a se instalar no Paraná, o mesmo Estado que estuda instalar condomínios e indústrias nos mananciais de abastecimento público.
Fecharíamos o tema das águas com o sistema Cantareira, para espanto dos países do Oriente-Médio, com sua pouca água abastecendo milhões de habitantes.
Nossa natureza: que tal levarmos árvores aos estádios? Cedro, jequitibá, jatobá, araucária, castanheira, palmito-jussara? Uma ararinha-azul? Difícil vai ser encontrar um espécime...
Da Amazônia levaríamos a arte de Frans Krajcberg, com seus restos da floresta queimada. Do Cerrado, a soja! Da Mata-Atlântica, a cana-de-açúcar.
A justiça do confortável salário-reclusão às famílias de presos, sustentados pelas famílias das vítimas. Vaquinhas afiançando condenados na mais alta instância do nosso judiciário.
Poderíamos reprisar o concurso da Garota do Tchan, aquele que fez muitas de nossas mulheres ralarem na boquinha da garrafa, lembra? O que o mundo civilizado diria disso? Então uma hora, uma hora somente, de programação de domingo na TV aberta!
Não seria um show e tanto, as estrelas do Big Brother numa daquelas festas bombadas, com diálogos de alto nível? Não, não, esse programa já perdeu audiência mundo afora, só no país do futebol ainda não desligam a TV.
Nossa política... a gestão de todo um Estado, toda uma Nação, focada exclusivamente no curto mandato de quatro anos do governante da vez! Conseguiríamos listar quantos programas de governo consistentes?
São muitas as opções, bem mais do que se pode escrever. O Brasil continua a ser um país e tanto, mas temos muito a fazer, se quisermos que estas citações deixem de representar o anfitrião desta Copa.
Boa reflexão, Luciano.
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