terça-feira, 3 de abril de 2018

Rita Lee in my life

Algumas músicas marcam época, alguns cantores e bandas conseguem a nossa atenção por alguns meses, anos ou mesmo longos períodos. Mas poucos são os que permanecem. Da pequena lista dos que marcaram minha vida, ela - a Rita Lee - se destaca em ampla vantagem.

No repertório da - hoje senhora - ousada compositora, há músicas que pontuaram minha vida, quase sem lacunas, mais ou menos nesta forma:

- começando com Ovelha Negra, que por tratar do bichinho ovelha, me cativou já desde criança! E olha que me parecia muito positivo ser "a ovelha negra da família"!

- "Jardins da Babilônia" me passaria despercebida (somente ouvi a música completa quando adulto), não fosse a persistente propaganda de seu disco na TV, com a jovem líder em destaque. Para mim, aquela moça imponente sintetizada a alegria e autonomia dos hippies, aquela patota de papo firme pacas e sem grilo na cuca, sacou?

- me lembro dela cantando com Gilberto Gil, "Domingo no Parque", do LP Refestança;

- "Mania de você": amo essa com devoção, me recordando das tardes chuvosas de janeiro naquele ano de 1980, em que eu insistia em colocar pipas no ar. Adoro tudo nessa música, mas aquele toque de piano, copiado diretamente de "Riders on the storm" do The Doors, é bom demais, tanto quanto o original!

- minhas preguiçosas manhãs, tocadas a "Cor de rosa choque" na interminável "TV Mulher";

- Por essa época, com Roberto de Carvalho, emplacando "Flagra" - abertura de novela. Ela não saía mais das paradas de sucesso e emplacou "Baila comigo" abrindo a novela das 8. Top! Essa marcou de forma gostosa meu fechamento de infância. E tinha "Saúde", "Ôrra meu!"

- A Rita estava no auge: "Lança perfume": Rolava a Ditadura, mas já se deu conta da letra? E tinha também o "Banho de espuma", com que sensualidade...  Não para menos Caetano a cantou "a mais completa tradução" de São Paulo, o que já me explicaram: "inteligente, descolada, arrojada, autônoma, à frente de seu tempo";

- Já adolescente, "Vírus do amor"!

- No primeiro ano da faculdade, no longo primeiro semestre em Taubaté, "Pega Rapaz" tinha espaço nas rádios. Ela que já não poupava palavras, no pós-abertura apimentou as letras, mas sem perder a elegância;

- Ela abriria a turnê de uma banda internacional, acho que Aerosmith, mas tentou suicídio engolindo remédios. Nunca entendi o porquê. Indícios de que a vida de pop-star é mais difícil do que parece...

Essa mulher não é mesmo maluca? Fez o maior barraco no que se esperava ser o último show, causou! E lá foi com Heloísa Helena a tiracolo, se apresentar ao delegado. Atitudes dignas da big-roqueira que é!

- Os Mutantes: o "mp3" me trouxe as músicas de seu início de carreira. E me deparei com o super-sucesso "Baby" da Gal, todinha composta e musicada lá nos anos 70, sem tirar nem pôr. Tá bom, confesso que essa ficou impecável na mão da Gal Costa. Mas vá entender...

- E ainda hoje, o que mais nos traz a Rita... "Bossa'n Beatles", obra prima, YEAH!!

- "Amor e o sexo", letra bem trabalhada em melodia agradável;

Concluo que essa mulher é prodigiosa e sua competência profissional fez e ainda faz minha vida melhor. Sou feliz por minha linha do tempo assinalada por sua discografia. Eu vejo Rita Lee como vida e alegria em plena juventude!




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