Manhã de Carnaval na cidade paulista de Cruzeiro. Duas mães se telefonam, uma delas preocupada com o filho que não retornara da noitada. João Bosco se lançara na folia com a metade do rosto pintado de verde, a outra metade de amarelo. Tão logo acordara e vira a cama vazia, sua mãe ligou para Márcia, a mãe do Duda, seu inseparável amigo. O mistério foi solucionado tão logo abriram a porta da casa: o João Bosco dormia sobre o capacho, abraçado ao Pipoca, um cachorro com pelagem chamuscada de tinta verde-amarela.
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O João era mesmo um folião muito animado: por alguns anos promoveu uma brincadeira que celebrava com surpreendente alegria o desfecho da vida, uma espécie de festejo fúnebre. Vestidos a caráter, os foliões saíam em desfile, carregando um caixão pelas ruas do centro da cidade de Cruzeiro. E quem ia a bordo do esquife? O próprio, com os cabelos curtos escorrido sobre um rosto embranquecido e algodões no nariz. Os foliões animados carregavam o caixão cantando desde a marcha fúnebre em rítmico lá-lá-lá, até rimas como "Au! Au! Au! O morto é um animal!, respondida por uma mão que surgia pela janelinha do caixão, sinalizando um agitado "não!", que significava 'não é animal não!'. A mesma resposta era dada para a rima "Eu! Eu! Eu! O morto se ...!".
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Certa madrugada de Carnaval, passei em frente à sede do Cruzeiro Futebol Clube, tradicional palco da folia cruzeirense. Próximo à porta de entrada estava estacionado o carro da família Flintstone.
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Uma outra vez ainda, uma enorme Arca de Noé singrou as ruas da cidade. Parando nas esquinas, abria-se a grande porta lateral e de lá saíam os festivos figurantes: os Bichinhos da Parmalat.
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Tantos carnavais, mas passamos a nos relacionar mesmo foi no ônibus diário para Guaratinguetá, nas sonolentas manhãs e madrugadas em que eu compartilhávamos as aventuras vividas em rios e trilhas da majestosa Serra da Mantiqueira, além de interessantes conversas sobre nossos passados e planos para o futuro.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
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