quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

No INPE

Das diversas histórias que formam a lenda do INPE, em São José dos Campos, onde atuei na década de 90, trago aqui duas ocorrências curiosas que contavam na ocasião:

Marciana

Em minha primeira semana lá, precisando emprestar um livro na biblioteca, me sugeriram conversar com a Marciana, bibliotecária. Em um local como o INPE, não resisti a imaginar que encontraria um ser verdinho e gosmento a organizar livros nas estantes. Mas pelo contrário, encontrei uma mulher de uns 35 anos esguia e esbelta, tez levemente morena, dotada de boa comunicação e focada em suas atividades profissionais. A narrativa abaixo mostra que não fui o único a julgar errado esta pessoa:

Certa vez, a Marciana se pôs a contatar a biblioteca de uma universidade, buscando emprestar um livro. Solicitada a prestar informações cadastrais, estabeleceu-se o seguinte diálogo:

- Seu nome, por favor?
- Marciana

- De qual instituição?
- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

- Qual o seu endereço?
- Avenida dos Astronautas...

Ao pronunciar esta última informação, seu interlocutor concluiu ser um trote e prontamente desligou o telefone!

Contagem regressiva

Naquela época, as operadoras telefônicas se resumiam às estatais, de forma que pra se fazer uma ligação interurbana, bastava o código da região, que em São José dos Campos era 012.

O prefixo do telefone do INPE era 345 e os ramais iniciavam em 6. Dentre os vários ramais disponíveis, havia o 6789, que tocava na sala de um pesquisador do Departamento de Meteorologia. Resumindo, o número de seu telefone era (012) 345-6789.

Alguns curiosos testavam a sequência óbvia do 0 ao 9, apesar de caras que eram as ligações interurbanas. Ligavam, perguntavam para que local haviam discado, ouviam algo como "INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais", agradeciam e, satisfeitos, encerravam a ligação. Mas teve um cara que mandou esta: 

- Pesquisas Espaciais? Tá errado, então! O certo não seria 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1... 0!! 

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