“Venice is my home!” exclamou ela, os braços abertos em cruz,
o rosto iluminado em sorriso. “It’s
a very nice city, we loved it so much!”, respondemos. Pouco depois, partimos no trem.
Até aqui, visitamos Venezia, Bologna,
Pisa e Firenze. Agora seguimos de trem regional a Roma, a Cidade Eterna.
Somos levados à capital do antigo Império Romano por túneis, vales, vinhedos,
rios de cor bege acinzetado... uma cidade medieval, encarapitada sobre
um monte! Uma viagem bela mas sonolenta, 4 horas regadas a Sudoku e essa escrita aqui no Blogger. Diferente mesmo foi a multa de €10,00 que tivemos de pagar por não termos validado a passagem antes de embarcar (que marcada!).
Este ano de 2014 foi atípico e choveu muito aqui na Itália,
mas a chuva contínua não foi nada bem recebida aqui, onde parreiras e oliveiras passam muito bem sem acqua.
É o nosso 9° dia de viagem e ainda nem é a metade das férias, mas já visitamos tantas chiese (igrejas) e musei (museus) que já perdi a conta. Apreciamos
tantas obras de arte da roma
clássica e da idade média que fica difícil dizer o que vimos de especial. Impressiona o quanto conhecíamos tão pouco deste período, mas precisaríamos dedicar muito mais tempo para realmente conhecer os fatores históricos e culturais nos quais estas obras foram criadas.
A dificuldade na apreciação das artes está no conhecimento
do contexto histórico em que foram criadas, o que diz muito acerca de como
devemos entendê-las e apreciá-las. A estátua do David de Michelangelo, por
exemplo, recebeu notoriedade pela disposição do artista em trabalhar um bloco
de mármore de qualidade ruim e que já havia sido abandonado por dois artistas
de renome na cidade de Florença. O monolito já até possuía um apelido
pejorativo, quando Michelangelo, na disposição dos
25 anos de idade, lançou-se ao trabalho e levou a obra a termo.
O feito coincidiu com o fim da longa dominação de mais de 300 anos da família Médici em Florença. A conquista de Michelângelo foi logo associada à conquista do povo
fiorentino, estabelecendo a celebração de sua obra, com notoriedade. Desta forma, tornou-se emblemática deste evento de libertário.
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E quanto há para se ver: em Florença, na Chiesa Santa Croce
(Igreja da Santa Cruz), os túmulos de Michelângelo, Galileo Galilei, Macchiavel,
Dante Allighieri,... Em Veneza, no Pazzalo Ducale (o Palácio Ducal), as
dominações exercidas sobre a Rota da Seda, o caminho para o Oriente.
As obras, os nomes, se sucedem: Michelangelo, Leonardo da
Vinci, Tintoretto, Veronese, Verrocchio, Bellini,... sem falar no astrônomo Galileo
Galilei, em Macchiavel, escritor
político, e Dante Alighiere, autor da Divina Comédia. Gente que fez História!
A bem da verdade, minha ignorância só não brada mais alto
porque ao menos li os capítulos inciais de “O Príncipe” de Macchiavel há alguns
anos, em uma edição de bolso pinçada de uma gôndola de supermercado. Descobri aqui, que minha ignorância é coisa dantesca, maquiavélica. Terei de me dedicar a conhecer mais sobre esses caras e suas obras, garantindo um mínimo de dignidade para poder afirmar que estive no Vêneto e na Toscana.
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As chiesas, meus Deus, as chiesas! Essas obras do renascentismo, testemunhas do que nossa fôra nossa civilização e do que passou a ser! Estão lá, humildemente à disposição de quem apenas atenda à simples instrução “tirare” em suas portas. Uma porta que se abre para séculos passados, anteriores mesmo ao descobrimento do nosso Brasil.
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Em Pisa, adentramos duas igrejas aparentemente mal cuidadas e escuras, uma delas, a de Santa Catherina, enorme. Um ambiente a-m-p-l-o com poucos acessos à luz externa e apenas algumas velas que foram acesas pelos que ali oraram nas últimas horas! Um escuro ambiente da Era das Trevas. Ali orou o povo humilde, abnegado e subjugado da era medieval, ali imperou o medo das bruxas e da Inquisição, ali se exerceu o poder da realeza e nobreza.
Reis e nobres, gente que, por maior que tenha sido o seu poder, restam apenas seus nomes e brasõesinscritos nas várias lápides dispostas no chão, paredes e capelas laterais. Algumas lápides, por sinal, em lastimável estado de má-conservação, severamente prejudicadas pela ação do tempo. Em várias lápides, nem mesmo os nomes ali indicados escaparam ao dano. Talvez somente um estudo aprofundado em documentos específicos traga a luz seus nomes, talvez nem isso.
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Arriviamo a Roma!
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