As imagens do EI são fortes, mas lamento confessar que me chocaram mais os ataques aos acervos históricos. Lamento pelo fato em si, mas principalmente por meus sentimentos ignorarem que uma única vida humana vale mais que qualquer obra histórica. E quantas vidas eles têm ceifado...
Quem são? Por que fazem isso? Não, não me digam que o fazem por Deus. Em meus pensamentos, tenho Alá como a divindade adorada pelos islamistas, assim como os cristãos adoram a Deus, a Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Penso que Alá é a forma como o próprio Deus, por seu amor e sabedoria infinitos, quis se dar a conhecer pelos muçulmanos. Assim como os judeus adoram Javé e nós, cristãos, adoramos a Deus. O mesmo Deus revelado de forma peculiar a povos distintos, ansioso pelo reconhecimento de todos.
Um motivo bom para pensar assim, é que muçulmanos e judeus são primos, descencentes do mesmo pai Abraão. Os cristãos, por sua vez, têm por herança o Deus dos judeus, pela vontade do Divino Criador.
Mas o que os nossos irmãos do EI estão fazendo?
A resposta talvez recaia na pergunta contrária: o que foi feito aos partidários do EI, para que agissem assim? Então caímos no óbvio, mas difícil de ver: os povos que hoje formam o EI estiveram fora do jogo dos grandes poderes humanos por muito tempo. Em tempos recentes, sofreram o horror de dois dos mais pesados bombardeios aéreos do mundo. Um pouco antes, permaneceram oprimidos sob governos totalitários, do qual Saddam Hussein é apenas um exemplo, mas recorrente em diversos países. Menosprezados por Israel e as grandes potências ocidentais, aos quais o petróleo soa mais interessante que todo o resto (as vidas inexpressivas dos povos locais). Mais atrás ainda, as dominações colonizadoras europeias, nas quais o escravismo era uma opção. E então Gengis Khan, Cruzadas, Júlio César, Alexandre o Grande,... Essa pesada História traz poucas opções no cenário contemporâneo, talvez a China e seu típico trato estrangeiro, do que temos o vívido exemplo do Tibete... As perspectivas para as populações árabes nunca foram muito boas.
Impressiona a capacidade dos Bush pai e filho, de ver na descarga fatal de bombas, uma solução. Descarregando toda sorte de males sobre um povo, esperavam que brotassem flores? Simplesmente ignoraram a História e as eloquentes consequências das intervenções do homem europeu, em última análise, do homem branco. Os conflitos decorrentes de tantos anos de um ódio dormitante que alimentou mais e mais ódio. Por fim, o Obama, com sua tosca solução de simplesmente retirar as tropas, deixando o país à deriva, sem garantir uma mínima estabilidade política.
Mas as belas obras de arte, evidências do nascer da consciência, registros no berço da civilização, estatuária unindo crenças e ciência humana, o homem representado em boi, leão, águia e cobra. Os colossais testemunhos da antiguidade... Estamos assistindo um amargo repeteco: o dominador, soberano em seus valores parciais, destruindo o que julga inútil. Assistimos, em temos pós-modernos, a dominação de Pizarro, a queda de Montezuma, o assolamento da cultura indígena americana, a destrato ao povo africano, a perda da Sala de Âmbar nos arrastes nazistas, o massacre cultural das raças não-arianas, bem como a ruína da cultura alemã, promovida por seus próprios líderes e arrematada por russos e aliados.
Apesar da pirotecnia e barbarismo das cenas que nos chegam nos dias de hoje, ninguém de peso acena soluções (por favor, pelo bom senso, desconsiderem a proposta de Dilma em se conversar com os extremistas). No fim das contas, tantos foram os ataques ao povo árabe, que aparenta não haver sobrado disposição alguma para repelir a insanidade que assola o Oriente Médio.
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