domingo, 15 de março de 2015

Lanceiros Negros II

Desde o início dos acontecimentos, já se passou Copa, Natal, Reveillon, Carnaval e as manifestações cívicas. Já são 8 meses desde que ele, sua esposa e filha neném foram despertados, desde que ele fora retirado do seio familiar e retido para averiguações.

Da prisão da unidade policial de sua cidade natal, fora transferido para o presídio regional, a 130 km de sua casa. Distância essa que sua mãe e esposa conhecem bem, assim como os procedimentos indecorosos que precisam vencer para prestar-lhe apoio.

Se em toda notícia ruim, há um aspecto positivo, este deve ser o estreitamento das relações familiares da parte de sua mãe com sua sogra, na luta perene por conseguir fundos para advogado, viagens e compra dos itens que precisam ser entregue ao cativo. E como toda notícia ruim ainda pode piorar, de seu empregador não pingou mais um único Real de salário, nem tampouco houve um único mês de auxílio-reclusão.

Privado de sua família e liberdade, sobrevive entre dezenas de detentos, em um espaço que não comportaria um terço dessa turma em condições razoáveis. Para se ter uma ideia, cada colchão abriga uma dupla, dormindo em carta de valete. Difícil imaginar como conseguir um mínimo de conforto e dignidade nos longos, incômodos e sonolentos dias.

As averiguações talvez estejam em curso, mas ainda não houve julgamento. Ele segue preso já por oito meses, sem ao menos haver sido julgado culpado, apenas um suspeito mal explicado. O caso já está nas mãos do juiz, ao qual pagamos auxílio-moradia na esperança  de alguma notícia de alento para essa família, uma decisão quem sabe tão boa que possa requalificar um nome jovem perante a sociedade, estancando o prolongamento do enorme tempo já perdido.

A notícia só poderá ser boa, a exemplo de José Genoíno, que condenado no Supremo Tribunal Federal, pagou a multa com 'vaquinha', recebeu regime semi-aberto e teve a condenação extinta.









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