terça-feira, 3 de março de 2015

Grito dos esquecidos

Faço minhas as palavras do médico Joáo Nelsi Lukenczuk, publicadas hoje, 03 de março de 2015, na Folha de Londrina, Opinião do Leitor, acerca da Greve dos Caminhoneiros:

Tive a oportunidade de acompanhar o protesto dos caminhoneiros em vários trechos rodoviários do país. A força da classe foi inegavelmente evidenciada pelo caos que começou a ser provocado nos mais variados setores da sociedade brasileira. Como qualquer trabalhador que luta no árduo mister de promover o progresso da nação brasileira, o caminhoneiro tem suas alegrias e vicissitudes, entretanto, nos últimos tempos, as agruras e os sofrimentos parecem predominar. Aquele que sai de casa sem saber quando volta ou se volta, deixando os entes queridos vários dias ou meses, alimentando-se e dormindo mal, muitas vezes até sem local para fazer a própria higiene pessoal, não é valorizado. Além do mais, o desequilíbrio receita/despesa vai cada vez mais acentuando: o baixo valor do frete contrasta com a alta dos combustíveis e a exorbitância dos pedágios vai sepultando os lucros, as esperanças e as ilusões desse bravo guerreiro das estradas. Nesse episódio o desespero e a revolta foram evidenciados e coube aos caminhoneiros a missão de ser os porta vozes de uma nação inteira, cansada de conviver com tanta roubalheira e tantos desmandos. Não bastasse isso, temos ainda que arcar com uma alta carga tributária. Parabéns caminhoneiros, que Deus os proteja e dê muita força nessa arrojada e corajosa empreitada de repaginar nosso país pelo grito dos esquecidos.


Autor: João Nelsi Lukenczyk (médico) - Londrina

Publicado em: Folha de Londrina, Seção Opinião do Leitor, 03/03/2015

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