Curitiba, 2015
- -
São Paulo, 2009
O coordenador da equipe abastecia a !cantina' anexa à nossa sala de trabalho, abraçado a um grande saco com cerca de três dezenas de pães, que estariam à disposição dos funcionários, para serem consumidos com manteiga Aviação e copos de café, café com leite, achocolado ou capuccino. Ao término do expediente, as luzes daquela sala do DER (Metrô Armênia) eram apagadas, deixando-se para trás uma boa quantia de pães, que seriam descartados na manhã seguinte, quando a nova remessa de pães chegasse.
Naquela época, eu ocupava um quarto no Hotel Concorde, na Rua Sílvia, Bela Vista. Como passasse a semana longe da família, tinha por costume uma caminhada noturna até a Paulista, indo e voltando pela alameda Rio Claro, que ladeia o antigo Hospital Matarazzo, então em aparente estado de abandono. Ao longo de seus altos muros, diversas pessoas improvisavam um meio de passar a noite.
Não demorou muito para que eu percebesse o potencial daquelas sobras de pães na nossa sala do DER, onde normalmente era eu quem apagava as luzes.
Um deles, sentado sobre algumas mantas estendidas no chão, estendeu a mão direita e, com um sorriso que denunciava firme satisfação, recebeu o pão e me retribuiu com um voto inestimável: "E pão você terá!".
- -
A prosperidade materializada no desejo sincero de um coração. Difícil imaginar como conseguir algo maior.
Nenhum comentário:
Postar um comentário